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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Naturezas mortas na Gulbenkian aos olhos dos miúdos

Quem disse que os miúdos não gostam das naturezas mortas?
Aqui está a prova de que se podem deixar contagiar e impressionar com a grandiosidade das obras expostas na Fundação Gulbenkian e que podem ser visitadas até 8 de janeiro.

Aqui ficam os originais feitos pelos míudos nos seus cadernos dos museus:

Ela, de 4 anos, escolheu Alberto Magneli para reproduzir.


Ele, de 8, ficou impressionado com o telefone lagosta do Dalí. Para além dessa reprodução, fez uma composição mista a partir de elementos das obras de Picasso,  Vieira da Silva, Max Ernst, Gris, Amadeo de Sousa Cardoso.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Um bom cenário para falar de sexualidade com os miúdos

Exposição "Sexo… e então?!", no Pavilhão do Conhecimento

A maior mais valia desta exposição, que hoje vos recomendo, é, na minha perspectiva, criar um cenário, lúdico e divertido de onde os pais ou professores podem partir para uma conversa sobre a sexualidade. E muitas vezes é disto que precisamos, de um cenário que despolete a conversa e, eventualmente, perguntas. Com informação rigorosa, mas de forma divertida, pode ser explorada por crianças de diferentes idades. Eu esperei pelo fim do ano lectivo para levar lá os meus dois filhos. E resultou.
Eles gostaram especialmente de alimentar um bebé na barriga da mãe e ver as suas reacções face aos diferentes alimentos, os saudáveis e os não saudáveis. Olharam-se ao espelho e viram, de forma divertida, o seu corpo modificar-se ao longo da puberdade. Viram um filme e perceberam como se desenvolve um bebé ao longo dos 9 meses de gravidez.
Ela brincou e reteve o essencial. Ele aprofundou alguns conceitos e também aprendeu alguns nomes. Ainda se engana e diz que a "culpa" de tudo o que acontece na puberdade é das hortenses. Ela corrige e insiste que é das hormónias. Têm 8 e 4 anos e gostaram. A mãe também se divertiu com eles.

Porque a exposição está a terminar, renovo agora a sugestão de que a Bárbara já falou no início do ano lectivo.
Aproveitem.

Ana Soares

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Brincar com pintores famosos


A minha filha de 4 anos chegou a casa e disse que na escola tinha estado a ver quadros. Até aqui tudo normal. O estranho foi quando reproduziu, quase fielmente, o nome dos pintores: Miró, «Modigliano», «Archimboldo»! Se eu fiquei espantada, nem imaginam a cara do pai quando chegou a casa e lhe perguntou o que tinha feito na escola!



Perante um trabalho que tanto a entusiasmou, achei que tinha de contribuir para desenvolver este gosto. Comecei por procurar nas livrarias, mas não encontrei nada muito adequado a estas idades.
Depois pesquisei na net e acabei por encomendar uns livros com imagens, autocolantes e uma página de biografia em inglês (para ela tanto faz ser em inglês ou japonês, pois ela ainda não sabe ler) . Várias semanas depois, quando chegaram, fizeram um sucesso. Pertencem a uma colecção de "Sticker Art Shapes", ou seja, autocolantes para reproduzir quadros famosos. De um lado da página está o "original", do outro está um modelo para completar com os autocolantes.

Recentemente, acabei por aumentar a nossa colecção, pois na Bertrand do Vasco da Gama, enquanto esperava na fila para pagar, vi numa bancada mais livros desta mesma colecção pelos mesmos 7 euros. E não resisti.

Há dias, sugeri que fizessem um concurso: cada um deles escolhia um quadro e eu dava a partida. Ganhava quem completasse a imagem com os autocolantes certos e nas posições certas mais rapidamente. Ele de 7 e ela de 4 adoraram. Fica a ideia.

Ana Soares

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A Cabana Mágica

A colecção "A Cabana Mágica" [no original "Magic Tree House"] é uma das mais populares e mais bem-sucedidas colecções norte-americanas de ficção infantil. Iniciada em 1992, conta já com 44 títulos publicados e um impressionante total de 53 milhões de exemplares vendidos só nos E.U.A., a que se juntam outros 10 milhões no resto do mundo! Para já, em Portugal, só temos 4 títulos traduzidos. A colecção gira em torno das aventuras de dois irmãos, o João e a Ana (Jack e Annie, no original), os quais descobrem no jardim de casa uma cabana mágica que, em cada livro, os transporta para uma época passada ou um país distante. A edição portuguesa inclui ilustrações originais encomendadas propositadamente para o efeito e da autoria de Nikola Raspopovic, um jovem ilustrador de origem sérvia radicado em Portugal, que surpreende pela expressividade e graciosidade do traço.


Foi com esta colecção que a leitura a meias terminou cá em casa. Ele, no 2º ano, e que hoje faz 8 anos, começou agora a ler sozinho e no final 'empresta-nos' os livros para lermos. Se fico muito orgulhosa e feliz de o ver devorar estas pequenas aventuras - na cama, sala de espera do consultório ou banco do jardim- é com alguma nostalgia que vejo estes momentos a três ( eu, ele e um livro) a chegar ao fim. Resta-me o consolo de ainda querer deitar-se comigo na cama de rede, mas agora cada um com o seu livro.

Resta saber até quando...

Adivinho que seja até à adolescência...

Ana Soares

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Museu da Marioneta

Proposta para uma manhã de domingo criativa, uma oficina.
Proposta para uma tarde, uma visita.
Proposta para um dia de escola com os professores/educadores, uma visita com actividades.
Proposta para uma festa de anos, um atelier.

No Museu da Marioneta existem todas estas propostas. A minha filha teve a sorte de ser convidada para uma festa de anos lá. Esta foi a desculpa para eu própria visitar o Museu. Desfalcada da filha, fui com ele. Na verdade, é sempre um prazer ter um programa só com um deles. Temos mais espaço para nos ouvirmos um ao outro. E às vezes isso faz falta.
Lá iniciámos a visita. As salas, meio soturnas, não lhe pareceram muito apelativas. Mas perceber como "funcionam" as diferentes marionetas, isso sim. Ou não fosse o rapaz ter alma de engenheiro (diz ele!). Marionetas de estacas, fios, luva e até umas de corpo inteiro.

Depois, a visita a uma das exposições temporárias, gratuitas. Dodu, o rapaz de cartão, da autoria de José Miguel Ribeiro. Simplesmente fabulosa! Uma cidade feita em cartão que deu origem a um filme de animação. Imperdível.

Chegados a casa, não resistimos. Fomos tentar imitar. Fizemos um aquário, um gato e um autocarro para a nossa cidade. O Museu veio connosco para casa. A visita continuou depois de termos saído do antigo Convento das Bernardas.

Ana Soares

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Muros de Abrigo



Com a curadoria de Paulo Pires do Vale, o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian oferece-nos mais uma excelente proposta: a exposição Muros de abrigo de Ana Vieira.
A artista propõe, ao longo da exposição, a passagem por ambientes vários: corredores labirínticos, personagens recortadas, ambientes reconstituídos a partir de espelhos, mesas que se transformam em paisagens. Um contínuo exercício de criatividade para o visitante.




Como habitualmente faço, levei os miúdos comigo. Apetrechados com as suas caixas de lápis e "caderno dos museus" lá se decidiram sobre o que "trazer para casa". Ele escolheu a mesa paisagem do deserto que, ao lado de um prato de sopa com um coco, tinha uma linha de comboio a atravessar um túnel de areia e um comboio cinzento. Ela decidiu desenhar a mesa paisagem da praia, ou não fosse ela uma apaixonada pelo mar. Depois, não resistiram e quiseram desenhar ainda dentro do caminho / labirinto.




Para miúdos e graúdos, uma exposição que vale a pena visitar até 27 de Março. Recordo que aos Domingos a entrada é gratuita.
Deixo-vos ainda um pequeno vídeo com uma das minhas obras preferidas.

Ana Soares

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Poesia para os mais pequenos

Ela ainda não sabe ler, mas adora ver livros e ouvir histórias para depois as reproduzir e acrescentar pormenores que imaginou. Também gosta de ouvir poemas. Aqui fica um que a encantou.

Levava eu um jarrinho
P'ra ir buscar vinho
Levava um tostão
P'ra comprar pão:
E levava uma fita
Para ir bonita.

Correu atrás
De mim um rapaz:
Foi o jarro p'ra o chão,
Perdi o tostão,
Rasgou-se-me a fita...
Vejam que desdita!

Se eu não levasse um jarrinho,
Nem fosse buscar vinho,
Nem trouxesse uma fita
Pra ir bonita,
Nem corresse atrás
De mim um rapaz
Para ver o que eu fazia,
Nada disto acontecia.

Fernando Pessoa

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Conversas de recreio

Conversa que ele (de 7 anos) começa com ela (de quase 4):

- Tens um namorado?

- Não, tenho uma namorada. É a M.

-Ah! Não podes! Assim são alérgicas.




Ela faz anos esta semana. A M. vem cá lanchar a casa. Não se pode deixar passar uma amizade assim! Entre os mais pequenos a amizade é inesperada, bela, mais forte do que tudo. E eles não têm palavras para explicar por que é assim. Mesmo que para o ano mudem de escola, que se deixem de ver, estas memórias do conforto e da alegria de ter um amigo ficam. E basta um abraço para tudo recomeçar. Diz R. Bach que "para os amigos não há longe nem distância". A minha vida pessoal também me tem mostrado isso. Que bom!

Ana Soares

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ler a meias

Ele já lê, mas demora ainda algum tempo a avançar nas histórias, pelo que fica impaciente e cheio de vontade de virar páginas. Por outro lado, (ainda) não me apetece deixar de lhe ler (será que me vai apetecer algum dia?). Já me imagino a sentir falta daqueles mimos do fim do dia em volta de um livro e uma boa história. Assim, agradando aos dois, lemos a meias. Uma página lê ele, a outra leio eu. Se for bd, cada um lê uma vinheta. Mas às vezes fazemos um bocadinho de batotice. Deixo-o ler a página que tem a parte mais emocionante da história ou uma ilustração de que ele gosta especialmente. É batota, mas acho que ele não se importa. Até ver...

Ana Soares

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os medos do João

Levámos os miúdos ao Teatro da Trindade para vermos As Aventuras do João sem Medo , adaptação do texto de José Gomes Ferreira. Mas... ela teve algum medo. Bem sei que a peça não é para a idade dela (é para maiores de 6 anos e no site dizem mesmo "final do 1º ciclo, 2º e 3º"), mas achei que seria uma versão "infantilizada" da peça. Pois não é. Assim, passado o susto inicial e de se ter habituado às personagens, aos vários actores que foram representando o João no palco (que podem ver no desenho) e espaço sombrio, acabou por gostar e se divertir. E valeu a pena. Claro está que a mensagem da obra ficou resumida à frase: quando temos medo, devemos cantar e rir (para espantar o medo).
Quanto a ele, gostou. A necessidade de escolher entre dois caminhos, o do bem (o das flores) e o do mal (o das pedras), tendo o João escolhido o segundo - para não perder a sua cabeça, que foi o que a criatura sem cabeça que podem ver no desenho lhe disse que aconteceria se escolhesse o do bem - foi meio caminho andado para ele ficar siderado.
Além disso, a peça está muito bem construída. É o teatro a acontecer à frente dos nossos olhos, sem nada escondido. Vemos as personagens a trocar de papéis e adereços, vêmo-los a tocar os instrumentos, a mexer nos sacos de plástico para imitar o som da chuva.
Para ele, a peça teve outra frase-síntese: quando vemos uma pedra a andar não nos assustamos, ficamos curiosos.
Quanto à mãe e pai, gostámos. A mensagem da obra não se digere facilmente, apesar das aventuras mirabolantes e non sense do João. Ficamos a pensar que tipo de João nós somos .

Recomendo, mas para os miúdos mais crescidos.

Ana Soares

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

a morte e o casamento

O tema da morte vai andando nas cabeças dos meus filhos, a par do tema do casamento.

Ele resolveu dizer que gostava  era de viver e que não queria ir para o céu. Acrescentou ainda: "deve ser uma seca estar morto no céu de olhos fechados e não me poder mexer".

Lá lhe disse que, se calhar, podia mexer-se  e estar de olhos abertos... Que talvez encontrasse por lá alguns amigos. Enfim, a resposta possível a esta pergunta no meio do trânsito.

Noutro dia e já em casa, foi a vez dela voltar a falar do seu noivo. Agora já não era o pai, mas o primo mais crescido, que ela adora, e que é, para os dois, um herói real, pois, além de crescido e valente, brinca com eles! (Que responsabilidade!) O irmão lá tentou tirar-lhe a ideia da cabeça, apelando a números e contas que ela não percebeu. Eu, nem me meti na confusão.
Ana Soares

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Paula Rego e marido

Fomos à Casa das Histórias em Cascais. Um espaço magnífico! E foi uma bela experiência. Para além da exposição permanente, um clássico para os conhecedores da obra de Paula Rego, que nunca é de mais rever, está ainda patente no mesmo local uma exposição de Victor Willing, o marido, já falecido, da pintora. O meu filho preferiu o marido à Paula Rego. Os quadros, grandes e enigmáticos, são, como o próprio autor sugeria, um convite à criação de histórias. Talvez tenha sido isso que o fez ganhar a simpatia do meu filho. De caderno em punho, lá escolheu dois que resolveu desenhar. E aqui fica um - Callot: Fuzileiro, 1983.

A mãe, por seu lado, gostou de conhecer a obra desta autor que, juntamente com Paula Rego, trabalhou e pintou em Portugal, de 1957 a 1974, entre o Estoril e a Ericeira. Impressionou-me especialmente a última sala, cheia de retratos/cabeças e o texto sobre o último dos mesmos. Estas telas são francamente mais pequenas. Foram pintadas numa fase avançada da sua doença, esclerose múltipla. Não tendo perdido o desejo de trabalhar, adaptou-se. O último quadro/retrato que pintou é particularmente vivo e colorido. Consciente do seu fim, não quis terminar a sua obra com uma marca de amargura.
Ana Soares


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Hora do conto - coisas de mãe professora

Fui ler uma história à sala da minha filha. Ela estava excitadíssima. Eu, que ontem à noite escolhi o livro que queria levar e o reli para me preparar, fiquei nervosa. A história era fantástica (já falei dela aqui), as imagens eram bonitas e até tinha feito com a minha filha dois fantoches com as personagens principais. Estava tudo preparado para um começo de manhã feliz. Chegámos à escola e olhei para aquelas 21 criaturinhas de 4 anos e pensei que queria contar-lhes a história, que se divertissem, mas dali tirassem também algum proveito. Sim, é verdade, nem sempre é preciso tirar proveito das histórias. No entanto, achei que os "convidados" especiais, como as mães, devem impressionar os amigos dos filhos com histórias e aprendizagens. Enfim. Não sei se isto faz muito sentido. Mas assim foi o meu raciocínio.
Naqueles minutos em que esperei que marcassem as presenças e se sentassem, pensei ainda como cada vez que tenho um grupo novo à frente, que não conheço, sejam eles do 12º ano, adultos ou crianças de 4 anos, sinto um certo nervosismo. Sem sentido, pensava eu, pois acabava por correr sempre tudo bem, é verdade. Bom. Lá fui ler a história. Parafraseei as palavras mais difíceis. Mostrei os desenhos. Fiz perguntas para criar expectativas. Rimo-nos e foi divertido. Correu lindamente. Quando me vim embora, e perdoem-me a imodéstia, pensei que é isto (também) que faz um bom professor: quando começa a falar com o seu "público", esquece-se dos ditos nervos e consegue, ao ritmo e em função da adesão do grupo, levar a actividade a bom porto. Pensei ainda: que sorte que eu tenho em ser professora.

Ana Soares

domingo, 19 de setembro de 2010

Ser adulto

Ele, armado em crescido, diz: Eu vou ser adulto antes dela [a irmã de três anos].

E ela, que não gosta de ficar atrás do mano, responde: E eu vou ser muito adulta e chegar à lua.

AS

sábado, 15 de maio de 2010

Dia Internacional dos Museus - a experiência do museu com crianças

Adoro levar os meus filhos a um museu. E não é por qualquer pretensiosismo ou achar que eles são “chiques” ou “cultos”. E não é apenas quando se celebra o Dia Internacional dos Museus!

Não, é mesmo pelo gozo de estar sentada no chão de um museu com eles e ver como é que eles olham para o mesmo que eu, como o interpretam. Levamos sempre uma caixa de lápis (no nosso caso, uma para cada um deles, para não haver desentendimentos no museu!) e os cadernos dos museus (designação que eu inventei para um caderno que só usamos nestes dias). “Espreitamos” o museu, salas e corredores. E eles podem escolher um, dois ou, no máximo, três quadros (conforme o tempo, disposição e sono da mais pequena).

O CAM da Gulbenkian tem sido, pela facilidade de acesso, aquele que mais vezes temos visitado. Por vezes levamos piquenique para comer no jardim e visitamos os patos. Ofereço-vos esta reprodução do Ângelo de Sousa - sem título de 1972 - que o rapaz fez numa destas visitas (a mesma em que uma das suas galochas foi parar ao lago dos patos!).
Gostou das linhas e das cores do quadro. Sentiu-se satisfeito por ter conseguido reproduzi-lo para mostrar ao pai, que não nos pôde acompanhar (para os que não conhecem o original, tenho de confessar que está parecido! São duas linhas curvas: uma amarela, outra preta).
E assim, visita após visita, museu após museu, os gostos e tendências vão-se formando, os museus passam a ser espaços familiares.

Ana Soares

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Primeiras leituras

Procurar livros para miúdos que só sabem ler algumas letras é uma tarefa árdua e por vezes ingrata. Quando o meu filho só sabia algumas letras, fazia-lhe eu as histórias para ele ler e não "encravar" a leitura num "g", por exemplo, que ainda não tinha aprendido. É claro que o resultado depois eram histórias "sem sal" com o Tito a atar o totó da tareca. Felizmente, esta fase durou pouco tempo e, mesmo sem ter estudado os "casos especiais" de leitura, começou a ser possível ler pequenas histórias.

A primeira que ele leu foi uma vitória e alegria para todos! É importante que esta etapa seja consolidada, que eles sintam que conseguem ( e por isso não faz mal ajudar nas palavras mais longas ou difíceis). Por outro lado, devem ser histórias de que eles gostem e que queiram contar aos outros que conseguiram ler.

No caso do meu rapaz, foi um livro editado pela Civilização, Harry e o Balde dos Dinossauros - Oh, não! As palavras mais difíceis do texto são "chávena" e "dinossauro". As restantes, ainda que com alguma ajuda, são de fácil leitura. Cada página tem uma só frase ou, no máximo, duas e pequenas, pelo que é fácil ver as páginas passar e chegar ao fim do livro e dizer: Vitória, vitória, acabou-se a história!
Ana Soares

terça-feira, 4 de maio de 2010

"N" de estacionar

Num semáforo, conversa do nosso rapaz que vê letras em tudo:

- Olha, aquele senhor do carro está a fazer um N.

- Hã?!?

- Sim! A estacionar, aquele senhor fez para a frente, para trás, para a frente!

Ana Soares

domingo, 2 de maio de 2010

Vamos ficar sozinhos?

Na parte de trás do carro, uma conversa filosófica entre ele de sete anos e ela de três.

Diz ela, quero casar com o pai.
Responde ele, não podes.
Porquê?
É adulto.
Então, caso contigo.
Não podes, eu vou escolher uma rapariga quando for crescido. Tu tens de escolher um rapaz.
Não pode ser o pai?
Não. Quando fores grande ele é velhinho e depois morre.

Silêncio.

Ela pergunta, eles vão morrer?
Sim, responde ele.
Porquê?
Com naturalidade e calma, diz: Porque ficam velhinhos e depois o mundo ficava com muita gente.
E nós ficamos sozinhos?, pergunta ela.
Não, depois tens a tua família.

Nós, na parte da frente do carro, de lágrima no canto do olho.

Ana Soares

quarta-feira, 28 de abril de 2010

E se um dia me acontecer a mim?

No supermercado vemos uns cegos. Seguem-se as perguntas da praxe: como ficaram cegos? Como se orientam? Como lêem? Dadas as respostas possíveis, ouço: espero que nunca me aconteça nada assim nem nenhuma doença, diz ele. Recomeça a minha resposta à pergunta que leio na sua cabeça de sete anos: o mais importante é ser sempre feliz. Saber aceitar o que a vida nos vai dando e arranjar maneiras de continuarmos a divertirmo-nos, cantar, dançar e rir. É claro que para isso precisamos dos outros. Nunca nos devemos esquecer disso e por isso devemos sempre ajudar e apoiar os outros. Se algum dia ficares doente, deves tentar ser feliz na mesma. Na escada rolante, ao nosso lado, alguém acompanha a conversa e sorri.
Fim da conversa com um sorriso.

Ana Soares

quinta-feira, 22 de abril de 2010

SPIN

Spin é o nome de outra das obras de Joana Vasconcelos que tivemos oportunidade de ver e "experimentar" no Museu Berardo. Não estamos habituados levar máquinas fotográficas para os museus e tivemos imensa pena de a não termos connosco no Domingo para registarmos algumas imagens das peças que vimos. Esta foi a melhor imagem que encontrei e que retrata Spin: uma espécie de cabine aberta com um espelho e uma roda de secadores que ciclicamente se ligam e nos "arejam" os pensamentos. Esta foi outra das obras que o meu rapaz escolheu para desenhar. Aqui fica.



Ana Soares