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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Contratos de associação: sim ou não?

Nota histórica: os contratos de associação nasceram numa altura em que a rede das escolas públicas não chegava a todo o lado. Assim, o Estado contratualizou com escolas privadas que existiam nas regiões, pagando-lhes para receber todos os alunos. Portanto, estes não pagam mensalidades porque é o Estado que as paga, como se de uma escola pública se tratasse.
Com o passar do tempo, o Estado construiu escolas, em algumas regiões duplicou a oferta, uma vez que esta já existia. A isto devemos chamar "má gestão". Mas não é assim que a esquerda interpreta – tudo, mais cedo ou mais tarde, cai na ideologia. A isso a esquerda chama "oferta pública". Como se o que as escolas privadas fazem não fosse escrutinado pela Inspecção-Geral da Educação, como se não tivessem de dar as mesmas matérias que as públicas, como se os seus alunos não tivessem de fazer os mesmos exames.
Mas a história não fica por aqui e, paralelamente à construção de escolas públicas, o mesmo Estado – é preciso ver que este nem sempre é o mesmo porque umas vezes é o PS que o gere, outras é o PSD/CDS – autorizou mais contratos de associação em colégios ao lado de escolas públicas e mais: permitiu que novas privadas conseguissem estes mesmos contratos. Má gestão, repito.

Depois de viverem dias calmos com Nuno Crato, as escolas privadas com contratos de associação estão em alvoroço com a possibilidade de perderem os contratos, logo, o financiamento.
Há contratos que são vergonhosos, os do centro da cidade de Coimbra, com escolas públicas ao lado! O das Caldas da Rainha onde a escola pública já existente ficou às moscas desde que a privada abriu, recentemente.
Mas aqui é que está o ponto: por que está a escola pública às moscas?
E devia ser sobre isso que as públicas que querem os alunos das dos contratos de associação deviam reflectir, em vez de acharem que têm o direito porque o "ensino é público". Repito: porque está a escola pública às moscas?
Outros pontos sobre os quais podem reflectir:
O que faz a escola pública para bem receber os alunos?
O que lhes oferecer em termos de actividades extra-curriculares?
Tem um corpo docente estável e disponível para tudo?
Tem recursos físicos e humanos para que os alunos fiquem até mais tarde?
Como é a sua relação com os pais? Ouve-os, trata-os bem?
Tem transporte?

Há escolas com contratos de associação más? Há, basta olhar para os rankings e elas lá estão. Há escolas com contratos de associação que escolhem os alunos? Sim, como há públicas que o fazem, mesmo que jurem a pés juntos que não. Há escolas com contratos de associação que exploram os seus professores? Há, têm sido denunciadas pelos sindicatos.
Mas também há escolas com contratos de associação que recebem os alunos que as públicas não querem ou os que as públicas desistiram.
Um amigo do meu filho esteve numa escola com contrato de associação com uma equipa de atletismo fortíssima – ah, pois, os privados podem ter essas coisas, dirão já os invejosos. Mas os públicos não têm porquê? Porque não querem, não é por falta de condições visto que todas as escolas têm pavilhão desportivo e departamento de educação fisica.
Voltando ao amigo do meu filho. É um rapaz de uma família pobre de uma ex-colónia, de um bairro complicado, que noutra escola teria poucas possibilidades porque estaria, à partida, condenado ao insucesso. Nesta escola com contrato de associação foi integrado, a escola percebeu que o miúdo tinha jeito para o desporto, pô-lo a praticar uma modalidade que pode levá-lo longe, e, entretanto, entrou na universidade, com bolsa, conseguida com a ajuda da escola que preparou todo o processo – ah, mas as privadas têm condições que as públicas não têm, onde é que numa pública podemos ajudar os meninos a ter bolsas... Mas não existe um gabinete de acção social?
Portanto, se este miúdo não tivesse sido verdadeiramente integrado, não lhe fosse traçado um projecto de vida, provavelmente poderia fazer parte daquele grupo de 30 que queria, à força toda, comer às sete da manhã no Palácio dos Kebabs, em Santos, em Lisboa, e como não lhe foi feita a vontade destruiu e roubou.
Esses rapazes, possivelmente com o mesmo background que este miúdo, não andaram na escola? O que é que a escola fez por eles, já que as famílias nada fizeram?

Mas todas as escolas com contratos de associação são bons exemplos de integração? Claro que não! E todas as públicas são um mau exemplo? Também não. O que quero dizer é que se a escola cumprir o seu papel – se em vez de os directores estarem preocupados em agradar ao seu corpo docente, se preocuparem com os alunos e as famílias –, certamente que os pais vão querer que os filhos fiquem na pública ao lado de casa, em vez de meterem os miúdos nos autocarros para irem para a privada com contrato de associação que fica a 25 km de distância.

O desafio é deixar as leis do mercado funcionarem! Mais: se eu fosse o Ministério da Educação, em vez de apregoar que os contratos são para acabar, para gáudio da Fenprof, do PCP e do BE, punha a IGE no terreno, a reflectir com as públicas que estão às moscas e com as privadas que têm maus resultados. Porque se a rede inclui públicas e privadas, por que hão-de ser as privadas a fechar as suas turmas, só para que se mantenha o peso da máquina do Estado? Enquanto este for conivente com as suas clientelas não lhes exigindo nada em troca, a escola não muda e, por consequência, a sociedade tende a piorar.
BW

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Por que são importantes os rankings

Catorze anos depois, os rankings já não são uma mera ordenação das escolas com base nos resultado da 1.ª fase dos exames nacionais do secundário. Pelo menos no PÚBLICO – é engraçado observar como nos outros órgãos, à excepção do Jornal de Notícias, as listagens continuam a ser lidas de maneira tão simples e só se destacam as escolas que ficam em primeiro lugar –, desde que o Ministério da Educação e da Ciência (MEC) começou a oferecer mais dados, que houve a preocupação de os conseguir ler e interpretar. Essa análise só é possível graças aos professores Joaquim Azevedo e Conceição Portela, da Universidade Católica Portuguesa.

Para compreender como se fazem os rankings nos últimos anos, veja este vídeo.

Depois, é correr as listas de cima, abaixo, debaixo, acima, à procura de dados curiosos, à procura de histórias e é fantástico perceber o que está por detrás dos números, que escolas são aquelas que se destacam, pela positiva ou pela negativa. Há muito que no PÚBLICO deixámos de ir a correr à escola mais bem colocada, que tem sido sempre uma privada, para oferecermos aos leitores o óbvio: famílias preocupadas com a educação, que o transmitem aos filhos (e não só, há cultura, há métodos de trabalho que são fruto da educação parental e não da escola), professores e direcções empenhadas, etc. Este ano fomos à pública mais bem classificada, que já não está em Coimbra, em Lisboa ou no Porto, mas nas Caldas da Rainha; e também fomos à escola que mais se superou.

Queremos espantar os leitores, como nós próprias nos espantamos quando ouvimos, por exemplo, uma directora dizer que a indisciplina contribui (em muito) para o insucesso – facto que há muito está estudado –, mas foi por isso que as medidas assumidas pela sua escola não são só de mais apoio académico aos alunos, mas, sobretudo, de mais disciplina.
É importante observarmos como as escolas mais isoladas, localizadas em zonas mais deprimidas sentem tanta dificuldade em descolar do fim das tabelas. Muitas conseguem. É assustador ouvir um director contar que é preciso ir chamar os alunos a casa, para fazerem os exames e que estes adormecem; ou uma professora descrever como é o seu dia-a-dia quando tem de dar aulas a crianças de anos de escolaridade diferentes com dificuldades cognitivas e enorme desinteresse – como é que podem competir com as grandes escolas? Com os alunos cujos pais trabalham? Com os colegas cujos pais dão importância à educação?
Mas estes pais existem e motivam os seus filhos! Aliás, mesmo nas escolas onde os resultados são baixos, há sempre estudantes que brilham, como é o caso de Hélder Antunes, da escola de Campo, em Valongo.

Apesar dos resultados terem melhorado este ano, nunca as escolas públicas estiveram tão longe dos lugares do topo do ranking e, para isto, contribuem em muito as más políticas do MEC, como a colocação dos professores; ou a atribuição de prémios àquelas que já se destacaram, portanto, o dar rebuçados aos meninos que já estão habituados a comê-los, não chegando os doces para os que não sabem o que isso é.

No PÚBLICO há ainda espaço para opinião, muita opinião, variadíssima, contra e a favor; para entrevista; e, claro, para as listagens, com possibilidade de poder brincar com as mesmas – qual a escola que obtém o melhor resultado no distrito? no conelho? na cidade? Está tudo aqui!
BW

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Quem conseguiu mais colocações?

Foto Nuno Ferreira Santos/PÚBLICO
Uns com tantos e outros sem nada...
Há professores que conseguiram ficar colocados em meia dúzia, uma dúzia de escolas. Agora, é só escolher e depois os restantes horários voltam a concurso.
Contente, o Ministério da Educação já fez saber às escolas que podem voltar a pedir professores para que a plataforma volte a abrir e para que os docentes se possam candidatar aos novos horários. And goes on and on and on... Com esta brincadeira chegaremos ao Natal e ainda haverá alunos sem professores.
Entretanto, o primeiro-ministro foi ao Parlamento admitir que sim, o ministério de Nuno Crato errou, mas que agora está a "reparar o erro". Estamos todos muito mais descansados!
Lamentável.
BW

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola

Na terceira semana de aulas, há turmas em que faltam seis professores, noutras três, noutras um, noutras aquele que há-de ser o director de turma.
"Parece que amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola", ouço dizer, numa conversa entre alunos. Retenho a palavra "remessa". Um professor é como um conjunto de livros que chega à biblioteca ou de várias paletes de leite escolar para o refeitório. Como se fossem mais uma de tantas encomendas que as escolas fazem.
"Preciso de três professores de Matemática", grita a directora da escola para dentro do intercomunicador do drive-in de fast food. Avança com o carro e ao chegar à janelinha é informada: "Hoje não temos. Volte noutro dia..." E, enquanto isso, já passaram 12 dias úteis desde que as aulas começaram. Quantas aulas perdidas? Quanta matéria por dar? Como vão ser os estudantes preparados para os exames?
Os professores são tratados como objectos. A entidade empregadora não tem qualquer respeito por eles mas exige-lhes que façam o melhor trabalho, mesmo sem condições.
O professor de Filosofia foi colocado na sua primeira opção, na escola que tem o nome da sua filha, naquela onde sempre quis dar aulas, confessa, feliz, aos alunos. Foi colocado a tempo e horas e dá as boas-vindas a todos. Propõe-lhes jogos, adivinhas; coloca-lhes questões; põem-nos a pensar no sentido da vida; cria uma conta de email para cada turma, para que todos o possam contactar sempre que tenham dúvidas; decora o nome dos alunos; percebe quais são os que estão ali porque querem aprender e os que ali estão porque não. E, oito dias depois de estar colocado, enturmado, a criar rotinas, é informado: "O senhor está aqui por engano. Tem de sair."
Como fica este docente? Está motivado para recomeçar tudo noutro sítio? Terá outro sítio onde recomeçar?
Como é que o ministro que respeita tanto os professores brinca assim com as suas vidas?
Como é que se espera que estes profissionais sejam respeitadas pelos alunos, pelos pais, pelos outros colegas?
O início do ano lectivo é sempre turbulento, nunca nada está pronto a tempo e horas, dizemos encolhendo os ombros. Mas nunca foi assim. Quer dizer, foi assim noutros tempos, há muito tempo! Nos últimos anos, a máquina estava oleada e os professores estavam nas escolas a tempo e horas; a tempo de participarem nas reuniões de preparação do início do ano lectivo; a tempo de conhecerem a escola, os colegas, os cantos à casa, as rotinas...
Esperemos que amanhã chegue uma nova remessa. A última, sff., para ver se o ano lectivo finalmente começa.
BW

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Os "paizinhos" não valem nada

A classe docente sente-se isolada. Nem quando tem os pais do seu lado, consegue vê-los.
Há dias, num grupo do facebook, no qual estou porque me convidaram, mas onde estão maioritariamente professores, uma docente escreve: "Os paizinhos andam a dormir. Se os meninos têm mais um dia de férias começam logo a refilar porque não têm onde deixar os rebentos. Agora ninguém diz nada!"
Estava a professora a referir-se à falta de professores na escola mas quando me chamam "paizinhos", sobe-me a mostarda ao nariz. Acho de uma falta de chá que não resisti a responder: "Que professor merece respeito quando fala assim dos pais? "Paizinhos" ou "pais"? Se não fossem os pais, os professores não tinham matéria-prima para ensinar. Respeite para não ser chamada de "professoreca"."
Pouco depois, a professora responde-me do alto da sua sabedoria: "Eu sou mãezinha e professoreca. É preciso ser inteligente para decifrar este post."
Estúpida, Bárbara, toma lá para aprenderes!

Mas há uma outra colega que sentiu a necessidade de ser pedagógica: "Bárbara Wong, a colega não criticou os pais, apenas disse que andavam a dormir pois há escolas onde faltam mesmo muitos professores. Eu enquanto mãe não tolero que isso aconteça nesta altura do ano. Ao meu filho falta-lhe um professor e já mandei reclamações para vários sítios. As aulas já iniciaram praticamente há 15 dias e é inadmissível ainda não estar um professor colocado naquela vaga. Tenho um agrupamento ao pé de casa onde faltam 41 professores. Você acha isso normal? Pois eu não acho e sou mãe!"
Mas a professora acredita que eu não compreendi o que a sua colega queria dizer? Eu percebo, não gosto é que chamem "paizinhos" a um parceiro educativo. E por mim a conversa acabou.

Só que faltava a professora indignada porque há uma "mãezinha" que entra em diálogo. Então, ainda não sabe que os professores não podem nunca ser questionados e tudo o que dizem é verdade? Ai, ai, ai...
"Agora chama-se matéria-prima aos alunos! A D. Bárbara deu a sua opinião através da escrita!! Aprendeu a escrever sozinha? Reforça a ideia de que alguns "paizinhos" andam a dormir; ou melhor nunca acordaram para a realidade que é ter um filho, ter alguém que devem cuidar e educar. A forma como muitos agem não são dignos de serem chamados "paizinhos" quanto mais de PAIS! A D. Bárbara não entre em disputa comigo porque não lhe vou responder mais! Sei o que pretende"
A D. Bárbara é respeitadora e não entra em "disputa" até porque a D. Bárbara não sabe "o que pretende", nem sabe o que responder a alguém que destila ódio pelos pais que não merecem ter filhos - talvez fosse de criar um órgão nacional onde estivesse esta professora a decidir quem pode ou não ter descendentes.
A D. Bárbara gosta de diálogos construtivos por isso, não sabe do que a professora está a falar. O que a D. Bárbara sabe é que a docente na sua escrita revela estar confusa ou furiosa com o mundo. A D. Bárbara teme pelos alunos desta professora.
Um pormenor de menor importância: A D. Bárbara detesta que lhe chamem "dona", chamem-lhe "Bárbara", "menina Bárbara", "senhora" ou "senhora dona"; mas "dona" é que não. Nem "doutora", chamem-lhe "jornalista". Gostos não se discutem.
O comentário da senhora professora tem quatro "gostos", inclusive há uma colega que diz que já tinha pensado o mesmo (?!?): Toma lá, ó D. Bárbara, o que tu queres sabemos nós!

O último comentário é revelador da classe de alguma classe docente: "Os pais são ignorantes... se o não fossem valorizariam a educação dos seus filhos e saberiam lutar mais por estes direitos fundamentais!!"
Temi que terminasse com um "morte aos pais". Mas pronto, são só uns "ignorantes". As senhoras professoras é que são o suprassumo da inteligência! E devem ter nascido de geração espontânea! Não acredito que tivessem pais, porque se assim fosse seriam tods uns ignorantes, não mereciam ser pais, eram uns "paizinhos"...

A verdade, é que estas senhoras professoras em concreto não viram notícias nos últimos dias, não leram jornais, não ouviram rádio - acredito que estivessem ocupadas a preparar aulas e a conhecer os seus alunos - porque se o tivessem feito, teriam visto os pais às portas das escolas a protestar. Se passeassem pelas redes sociais, leriam as queixas dos pais porque faltam professores nas escolas. Portanto, os "paizinhos" estão do lado dos professores. Quer dizer, os pais acham que estão ao lado dos professores, mas têm um problema de perspectiva porque, na verdade, os professores estão lá tão em cima, mas tão em cima que não conseguem ver os pais.
Uma pena porque a união faz a força.
BW

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Chegar mais cedo para ter lugar na sala de aula

Na manhã de quarta-feira, ele apressou a irmã para saírem de casa mais cedo. "Despacha-te que tenho de chegar a horas!" Com a mochila feita de véspera, estava impaciente, esperando à porta de casa, enquanto ela dava os últimos retoques ao cabelo, vendo-se ao espelho de fugida. "Ui, estamos tão aplicados!", atirou-lhe, em tom de crítica, bem-humorada. Ele empurrou-a para a rua e fechou a porta com força.
Esta manhã, ouviu-se um "já estamos atrasados" em tom de desabafo e de desespero. E lá correm eles porta fora.
Passou a gostar da escola? É um aluno pontual e aplicado? Nem por isso. É o instinto de sobrevivência que o faz voar em direcção ao estabelecimento de ensino. É o querer ficar sentado na sala de aula onde as 32 carteiras são insuficientes para os 33 alunos inscritos. O último não terá lugar para se sentar e, por isso, não terá direito a entrar na sala de aula. Aconteceu ontem, com a professora a pedir ao último que entrou para ir à secretaria queixar-se que não tinha lugar.
Turmas de 33 alunos em salas que não comportam mais de 32 mesas?
Turmas de 33 alunos no último ano do secundário? Eles são grandes, enormes, e as salas foram desenhadas pelos arquitectos da Parque Escolar para os 25/28 previstos anteriormente.
Consegue um professor conhecer os 33 alunos daquela turma e os 33 de todas as outras turmas que vai leccionar durante o ano?
Consegue um professor ensinar 33?
Conseguem os 33 alunos aprender?
Duvido.
O ministro Nuno Crato disse que gostaria que a abertura do ano lectivo fosse “sobre os alunos, as turmas e a evolução que está a ser feita”. Sobre os alunos que não têm professores? Sobre os alunos que não têm lugar para se sentar na sala de aula? Sobre a evolução? Qual evolução? 
O sucesso escolar começa a construir-se no primeiro dia de aulas, diz Maria de Lurdes Rodrigues. Assim é, ele sai cedo para se conseguir sentar. Depois, é rezar para que aprenda alguma coisa com a meia dúzia de professores desmotivados que lhe aparecem à frente – em cinco, faltam três ser colocados – e com os 32 colegas que, tal como ele, por vezes, não sabem o que é estar numa sala de aula.
Entretanto, ele vai continuar a ser pontual: não há lugares marcados porque não há director de turma – faz parte do grupo dos que não foram ainda colocados.
BW

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

No regresso à escola

"(...) ao mesmo tempo que acarinhamos o ensino obrigatório (e o modo como ele transformou o mundo, de dentro para fora das salas de aula), não devíamos assumir que o mais importante na vida de uma criança não é a escola (e, muito menos 'esta' escola)? Que mais escola não é, obrigatoriamente, mais vida e mais sabedoria? E que a escola da vida é tão importante como a ...escola?

Eduardo Sá, Expresso, 14.09.2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Calendário do próximo ano lectivo prevê três semanas de férias de Natal

A proposta do Ministério da Educação e Ciência é que o calendário do próximo ano lectivo seja uma maluqueira: três semanas de férias de Natal e 30 dias de aulas no 3.º período. O desatino continua com o programa de Matemática com o qual nem a própria Sociedade Portuguesa de Matemática, da qual o ministro foi presidente, concorda. Eu fiquei abismada e tive de ler a notícia outra vez para confirmar que a SPM considerava que o novo programa vai provocar "uma agitação desnecessária" nas escolas. E, por último e, mais uma vez, o exame do 4.º ano: lá vão os meninos do privado para a escola pública fazer o exame, não vão os malvados dos seus professores soprar-lhes as respostas. É um retrocesso que faz lembrar o Estado Novo quando os alunos do privado iam fazer os exames ao liceu.
BW

sexta-feira, 15 de março de 2013

Há condições para fazer exames no 4.º ano?

A poupança, sempre a poupança, obriga a que os alunos do 4.º ano, nos dias em que vão realizar os exames nacionais, deixem as suas escolas, as suas salas de aula e vão para a escola sede de agrupamento, para as salas dos mais velhos, fazer os exames.
As escolas nem sabem muito bem como é que isso se põe em prática já que os alunos dos outros anos não estarão a fazer exames porque aqueles serão dias normais de aulas... É mais uma daquelas decisões tomadas no impulso da poupança. Pensa-se, diz-se, manda-se uma circular e depois a escola lá há-de arranjar uma solução, habituada que está a fazê-lo noutras circunstâncias.
Isso também me aconteceu mas por razões diferentes: como andava numa escola sem paralelismo pedagógico o exame era obrigatório para certificar que tinha sido bem ensinada. Fomos o dia todo para a secundária da zona, gigante à vista da nossa pequena escola. O dia todo porque tinhamos exame de cada uma das disciplinas (Português, Matemática e Estudo do Meio) e ainda havia umas orais para fazer no final. Lembro-me da ansiedade sentida por não estar na minha escola, da angústia de não ver a minha professora e do alívio que senti ao ver que tinha sido designada para a sala, para fazer a vigilância, uma das professoras da escola, que nos sorriu mal entrou, sossegando-me.
Aos oito/nove anos continua a fazer-nos falta a estabilidade – não faz falta a vida inteira? –, o conhecermos o espaço, o estarmos ambientados, o estarmos bem. Não vou dizer que os meninos vão ter piores resultados porque não estão no seu meio, mas era desnecessário obrigá-los a isto. Se não há condições monetárias para fazer exames, não se fazem que não vem mal ao mundo.
BW

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O Dédalo é diabético

No palco, cada um posiciona-se no seu lugar. A professora Dulce dá início ao ensaio geral e a professora Nanda arruma os meninos por ordem de entrada.
– Trouxemos lanche? – pergunta Nanda a Dulce que não responde, concentrada em fazer os alunos do 1.º ciclo da escola das Beatas, do agrupamento Emídio Garcia, de Bragança, dizerem as frases correctas.
– Se não trouxeram, podemos ir ao bar. – responde Altina, professora da secundária Miguel Torga que ajudou as colegas a organizar a representação de "O Labirinto do Minotauro", com base na primeira aventura da colecção Olimpvs.net.
– Pois... mas eu tenho um que é diabético... – responde Nanda, preocupada.
– É o Dédalo! – responde o aluno vestido de Poséidon.
Dou uma gargalhada! Eles andam pelos seis aos nove anos e falam do arquitecto do Labirinto do Minotauro em Cnossos como quem fala de beyblades ou outra coisa qualquer com que estejam mais familiarizados. E, naquele momento, sinto uma responsabilidade imensa e, ao mesmo tempo, uma grande humildade. Aqueles meninos e aquelas professoras ultrapassaram todas as expectativas, as minhas, quando eu e a Ana começámos a imaginar este projecto que quer levar a mitologia grega aos mais novos.
Pouco depois, a sala começa a encher-se de meninos todos vestidos de deuses gregos. É fácil fazer uma máscara de deus ou deusa, descubro! Basta um saco de plástico branco cortado nos sitios da cabeça e dos braços, decorá-lo e fazer coroas de louros para completar. Alguns pais empenharam-se e havia fatos magnificamente decorados.
– A minha mãe não teve tempo... Ela trabalha, foi a professora que fez - diz-me um aluno do 4.º ano.
As professoras fizeram muitos, mesmo muitos fatos e muitas coroas. Ao todo são uma centena de alunos, do 1.º ao 4.º ano, todos vestidos de gregos. Professoras incluídas.
– Olha um touro! – exclama um dos mais pequenos, mal acaba de se sentar no novo auditório da Emídio Garcia, o antigo liceu de Bragança.
- Não é um touro... É o Minotauro! – responde-lhe um dos mais velhos, com aquele ar de que os mais novos não sabem nada.
E os professores do básico e os do secundário são incansáveis. O moderno retroprojector que desce do tecto não liga e os anfitriões não desistem de o pôr a funcionar. Finalmente começa. Altina Fernandes apresenta a colecção Olimpvs.net e conta o primeiro volume aos mais pequenos. Por fim, o pano abre e começa o espectáculo!
Palmas, muitas palmas. Os artistas foram profissionalíssimos, com apenas dois dias de ensaios, sabiam as suas falas de cor (quase todos!) e quem não sabia teve uma ajuda da professora Dulce e de um dos colegas.
A professora Clara faz subir ao palco um conjunto grande de meninos, todos com um pedaço de cartolina na mão com o nome de um deus grego de um lado e uma descrição no outro: "Eu sou Hades, o deus do mundo inferior!", "Eu sou He...he..." há nomes difíceis de pronunciar. "Porque é que eles não se chamavam João ou António?!", brinca uma das professoras.
"Ó professora! E nós?!", pergunta uma das meninas mais pequenas.
As professoras decidem pôr todos os alunos em palco. Os pais que conseguiram estar presentes, fotografam-nos, ajeitam-lhes a máscara de Carnaval, orgulhosos.
Abrem-se os estores cinzentos e modernos que deixam entrar o sol quente. É a minha vez de falar. Só para agradecer, não há palavras que descrevam a emoção de ver o nosso trabalho plasmado em fatos de Carnaval, em palavras difíceis ditas por bocas pequeninas, em memórias que vão ficar para aqueles meninos e para mim! 
– Gostaste? – pergunta-me uma menina, ansiosa pela minha resposta.
– Muito!
– Eu sou a Mel! – responde-me orgulhosa por ter encarnado uma das nossas personagens.
Muito obrigada ao Sindicato dos Professores do Norte por ter dado a ideia à Escola das Beatas e por esta a ter acolhido tão bem!
A sementinha ficou porque, em breve, os meninos vão voltar a representar, desta vez, no Museu do Abade de Baçal, que no seu jardim tem um labirinto, bom para Minos, Parsifae, o touro branco, o Minotauro, Dédalo e os nosso heróis voltarem a actuar! "Nós somos os escolhidos dos deuses, os deuses da nova era!"
BW

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Olimpvs.net nas escolas

14 de Dezembro de 2012
Olimpvs.net no Colégio Miramar, em Santo Isidoro, Ericeira
Chove e o vento assobia com força. Os alunos do 5.º ao secundário entram ordenadamente na sala de aula onde muitos se sentam no chão. A porta tem de ficar aberta pois as janelas não se podem abrir devido ao mau tempo que faz lá fora. Somos muitos dentro da sala. Passa um pequeno filme preparado pelos professores Anabela Lopes, Denise Tomás e Marco Briosa. Apresento a colecção.
Perguntas? Não demoram a arrancar. As primeiras foram preparadas pelos alunos que pertencem ao Clube de Media e são lidas. As seguintes são espontâneas e feitas por todos, mesmo pelos que estão na fila de trás, os mais velhos, os que parece que terão prestado menos atenção à apresentação.
"Quando é que descobriu que gostava de escrever? Como é que tiveram a ideia? É fácil escrever com outra pessoa? Que livros gosta de ler? Gosta mais de Saint-Exupéry, Mia Couto ou...? O que diferencia Ana Soares e Bárbara Wong da Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada?..." Cada vez mais difícil! "Qual é a pergunta que não gosta que lhe façam?"... E lá vou abrindo a alma àqueles alunos calados e atentos ao que vou dizendo.
É preciso terminar, avisa a professora Anabela Lopes. Os meninos batem palmas enquanto a docente me oferece um ramo de flores, alguns demoram-se a sair, ainda têm uma pergunta ou uma confissão para fazer. "Eu gostava de ser jornalista, mas se calhar vou ser médico", "Este Natal não vou ter prendas... a minha prenda vai ser o meu mano, que vai nascer!" Há ainda alguns livros para assinar.


16 de Janeiro de 2013
Olimpvs.net na Escola com 3.º ciclo e secundário de Caneças
Chuvisca. A escola é nova e o Olimpvs.net vai inaugurar o auditório com as quatro turmas do 7.º ano. No corredor de acesso a excitação é grande. Os alunos entram. Alguns mais irrequietos, com aquele ar de desafio nos olhos e no corpo que se esparrama nas cadeiras, pernas abertas, roupa desleixada. Outros sentam-se na pontinha das cadeiras novas, com a curiosidade no rosto.
Começo a apresentação. Termino a apresentação. "Já?!?", murmuram. "Perguntas?" Demoram a arrancar, até que começam. "Porque é que os heróis são duas raparigas e três rapazes e não há mais raparigas? Já pensaram introduzir mais heróis com poderes ou são só esses cinco? As duas raparigas são iguais a si e à Ana Soares? Onde é que foram impressos os vossos livros, o meu pai trabalha na Printer Portuguesa! [Coincidência, são impressos na Printer, deixando a aluna muito orgulhosa] Não querem fazer uma aventura na nossa escola? Porque é que não fazem O Túmulo Perdido II, podiam usar a lenda do espelho de Pandora... [Não conheço essa lenda, confesso. Então é aquela em que as pessoas se vêem ao espelho e as boas ficam más!] Quantas canetas gastou a escrever? [Não uso caneta, escrevo no computador, respondo. "Está mal, devia ser com caneta!", responde o rapaz indignado] É famosa? Não. Mas dá autógrafos? Sim Pode contar-nos um bocadinho de uma das histórias, pode ler?"
Sou apanhada desprevenida com o pedido. Leio duas páginas. A centena de rapazes e raparigas que se encontram à minha frente está em silêncio absoluto. Só ouço a minha voz. Quando termino, aplaudem. Fico sem saber o que fazer e sorrio. Os mais espertalhões abusam do aplauso, batem as palmas mais alto, mais intensamente, prolongando o momento.
É hora de acabar. As professoras dão-lhes os parabéns por se terem portado tão bem, confessam depois que nem sempre se comportam assim mas têm orgulho da "fornada deste ano". Sem dúvida, não envergonharam a escola, nem os pais. Estão todos de parabéns. Alguns ficam para trás, para uma sessão de autógrafos em folhas de papel. Uma das meninas segreda-me uma sugestão para um dilema que coloquei. "Excelente ideia, muito obrigada!"

sábado, 3 de novembro de 2012

Professores sem escola, amanhã na SIC

Domingo, dia 4 de novembro, no ‘Jornal da Noite’

‘GRANDE REPORTAGEM’ – “PROFESSORES SEM ESCOLA”

Durante quase uma década, Silvana Lagarto e José Vicente foram professores de EVT, Educação Visual e Tecnológica, o grupo de docentes mais atingido pela reforma liderada pelo Ministro da Educação Nuno Crato. Estes dois professores dificilmente voltarão a ser colocados. Margarida Carvalho e Tiago Galveia, professores de Ciências e de Geologia, também ficaram de fora das listas de colocação pela primeira vez em seis anos. Maria Santana, docente de Filosofia, está ainda à espera de ser colocada, ao fim de 15 anos dedicados ao ensino.
Os cortes no Orçamento da Educação de 2012 deixaram milhares de professores sem trabalho e o ensino mais pobre.
As linhas gerais da re-estruturação foram definidas pela Troika, mas Nuno Crato e Vitor Gaspar levaram mais longe as orientações inscritas no memorando.
O corte no orçamento da Educação em 2012 rondou os 600 milhões de euros, três vezes mais do que os 195 milhões exigidos pela Troika. O orçamento de 2013 prevê ainda mais cortes.
A ‘Grande Reportagem’ deste domingo analisa as reformas na Educação, as consequências no ensino público e na vida de professores que, de um momento para o outro, ficaram desempregados.
Estará em causa o futuro da Escola Pública?
Professores Sem Escola é uma reportagem de Sofia Arêde, com imagem de Rodrigo Lobo e edição de Imagem de Ricardo Tenreiro.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Quanto custa um aluno no ensino português?

Na verdade, ainda não sabemos...
Apesar de o Tribunal de Contas ter feito um estudo e ter chegado à conclusão que um aluno do público fica mais barato do que o do privado, em média, a verdade é que não sabemos porque as contas do TC referem-se ao ano de 2009/2010 e incluem os alunos das Novas Oportunidades. Portanto, eu diria que se as contas fossem feitas hoje, um aluno do público ficaria ainda mais barato porque há menos professores, há menos funcionários, há menos ensino para adultos, há menos disciplinas, é tudo a subtrair, logo, mais barato. Por isso, as declarações de satisfação das escolas privadas são vazias.
BW

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Metas curriculares

O Ministério da Educação e Ciência tornou públicas as metas curriculares para o ensino básico para as disciplinas de Português, Matemática, Educação Visual, Educação Tecnológica e Tecnologias da Informação e Comunicação. Está tudo aqui.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Educação Física: é ou não importante?

"A Educação Física vai deixar de contar para a média dos alunos do secundário, a partir do próximo ano. Só conta..."
Fui interrompida por um adolescente que vai para o 10.º ano: "Este ministro quer que os alunos sejam todos iguais a ele. Ele é o cúmulo da perfeição! Quer que sejamos todos matemáticos! Um país de matemáticos, mas todos obesos porque hoje não se come o que o ministro comia quando tinha a nossa idade..."
"Só conta para a média de quem quer seguir essa área", termino quando ele se cala.
"Está mal! Está mal porque devia contar para todos. Então o ministro não gosta tanto do modelo americano? Nos EUA todos fazem exercício! Como é que temos bons desportistas se não houver investimento desde o pré-escolar?", continua o rapaz furioso.
"Estás a confundir várias coisas mas, no fundo, tens razão", concluo.
Ouço alguém dizer que tem de saber matemática mas não tem de saber as regras de basquetebol. Mas, se assim for, também não tem de saber quem foi Junot, como se forma a chuva, o que é um país em vias de desenvolvimento... E só estudamos o que realmente nos interessa, nada mais? Só prestamos provas às disciplinas consideradas nobres? Vamos regressar ao secundário das três cadeiras e a borga total (o meu secundário, o secundário de tantos dos actuais professores)?
A educação física, a musical, a visual e tecnológica são todas importantes, sobretudo para quem não tem oportunidades de as aprender fora da escola.
BW
PS: Uma coisinha de que me lembrei agora, às 19h53. A ideia de a nota contar só para os que querem é benéfico para esses alunos. Imaginemos dois estudantes que querem fazer o mesmo curso superior, ambos com média geral de 16 (a todas as disciplinas, excepto EF), mas o que pediu para EF contar tem 18 a essa cadeira, ficará à frente do outro colega. Parece-me bem! Será que o ministério pensou nisto quando criou esta regra?
Ou pensou que os alunos que escolhem EF são todos aqueles que não têm jeito para mais nada, senão para o desporto? É que se a ideia é essa, é de quem ainda não viu as notas de admissão à Faculdade de Motricidade Humana, entre as mais altas nas universidades portuguesas.

sábado, 21 de abril de 2012

A falsa liberdade de escolha

A fraude das moradas falsas vai continuar. Afinal a liberdade de escolha tem à frente todos os requisitos que já existiam anteriormente, o que significa que as escolas públicas mais populares vão continuar a cumprir a lei (aliás como todas as outras!) e a dar prioridade a quem mora na zona, a quem trabalha na zona, aos irmãos dos actuais e alunos. Portanto, fica tudo na mesma, como se pode ler aqui.
BW

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Uma má notícia, dizem directores e professores

O aumento do número de alunos por turma é uma má notícia, diz quem está no terreno e não o diz porque está com medo de perder o emprego (turmas maiores=menos professores), mas porque sabe o quanto é ingerível ter demasiada gente fechada na mesma sala, durante 90 minutos.
Não estamos a falar de alunos iguais aos do tempo de estudante do senhor ministro. Não são meninos de liceu, filhos das elites; não são os filhos da democracia de Abril, da entrada na UE, dos milhões vindos da Europa; são os filhos da pobreza, da fome, da crise, os que estão nas salas de aula, são os que não têm perspectivas, os que não percebem porque é que estão na escola, não lhe vêem mais-valia alguma.
Numa semana em que a OCDE pede que o sistema educativo se centre nos alunos, saber que as turmas serão maiores é uma má notícia.
BW

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Para marcar na agenda

Um tema que é, no mínimo, polémico!

A Fundação Maria Ulrich, em parceria com o Fórum para a Liberdade de Educação convida-o a participar na terceira das Tertúlias da Educação, sob o tema As escolas privadas são melhores do que as públicas?, apresentado por Carmo Seabra.

Terá lugar dia 24 de Fevereiro, entre as 18h00 e as 19h30, na Fundação Maria Ulrich, Rua Silva Carvalho 240 (junto às Amoreiras), Lisboa.
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Entrada livre, sujeita a confirmação de presença através de: .

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Castigar os pais por causa dos filhos

O novo Estatuto do Aluno prevê que os pais sejam punidos pelo mau comportamento dos filhos. Poderão pagar multas e ter menos apoios sociais.

Diz Manuel Pereira, director de escola e responsável da ANDE, ao PÚBLICO
"O país não tem meios para continuar a gastar com estes alunos que não querem estar no sistema de ensino; as escolas não podem ficar nas mãos de crianças e jovens com comportaemntos completamente disfuncionais e a sociedade não pode continuar a deixar que estes continuem a crescer sem regras e a não respeitar a autoridade de ninguém. (...) Se a responsabilização civil dos pais não for a solução, então não vejo mais nada que o seja."

Diz João Sebastião, do Observatório para a Segurança Escolar
"É uma medida que não procura modificar comportamentos."

BW

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Reforma curricular: onde ficam as artes?


E as artes? E as tecnologias? E os meninos que não "marram"? E os que não aprendem? Só queremos cientistas, matemáticos, geógrafos? Eu sei que as bases são muito importantes, mas e as outras áreas? E os alunos que se realizam no trabalho manual, aqueles que se sentem bem a desenhar, a construir coisas... os futuros arquitectos? Serão esses alunos inferiores aos outros que devoram livros, que fazem equações de olhos fechados?
É o regresso ao passado. Não ao eduquês! Sim à aprendizagem pura e dura.
Os professores que tanto criticaram as áreas não curriculares estão contentes. Os de História e de Geografia regozijam, juntando-se aos de Português e de Matemática, esquecendo os de TIC, EVT e outras disciplinas menores que só servem para entreter meninos.
Abaixo a Formação Cívica, para que serve se poderemos ter mais camaras a vigiar-nos todos os passos? Abaixo a Área Projecto eles, de qualquer maneira, não sabem fazer nada, além disso dava muito trabalho, fazer parcerias com os outros colegas e as reuniões e essas coisas chatas que traziam outra vida à escola, mas absorviam a vida pessoal do professor. E o Estudo Acompanhado? Que estudem em casa! Não sabem? Paciência...
Suspiremos de alívio: a escola vai servir a sua verdadeira função a de ensinar os alunos, nada de os educar que essa é a função dos pais (mesmo que esses não tenham educação, azar! Para que é que o professor, que viu o seu salário congelado e cortado, se há-de preocupar com o futuro da sociedade?).
Os professores estão felizes. De facto, a única preocupação agora é o desemprego, mas essa é uma preocupação de todos os portugueses...
BW
PS: Eu tive três disciplinas no 12.º ano. Três e o resto do tempo não foi para me concentrar, nem para trabalhar muito e seriamente para entrar na faculdade. Foi para ir ao cinema, a exposições, a concertos e à praia. Foi para sair, passar horas ao telefone com os amigos, ler romance atrás de romance e tomar conta da minha avô. E entrei na mesma, claro que não foi para Medicina, mas também não era isso que eu queria. A ver se as próximas gerações estão concentradinhas nas suas quatro cadeiras e entram todas em Medicina! Ah, afinal vai continuar a haver numerus clausus, não vai?