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quarta-feira, 27 de abril de 2011

A avó Alice

Alice Vieira é uma escritora de mão cheia!
Histórias simples, bem escritas, tão coladas aos miúdos de hoje em dia. Nos seus livros existem os problemas, as alegrias, o modo de falar e de estar das crianças e jovens da actualidade.
Agora, Alice Vieira, a avó, escreveu para as avós, mas não só - que eu estou longe de ser avó e estou a lê-lo com a máxima atenção. Chama-se O Livro da Avó Alice e continuo a lê-lo em voz alta, para quem me quer ouvir, lá em casa, ao telefone, e agora aqui, uns bocadinhos que reflectem o que também tenho escrito neste blogue, mas que Alice Vieira faz muito melhor do que eu.

O filho de um amigo meu não pára quieto, não sabe brincar, não sabe interagir com as outras crianças, bate-lhes. Em casa, passa as refeições à frente de um ecrã; quando viaja, o DVD está incrustado no assento da mãe, onde vê filmes; de férias, os pais levam um aparelho com DVD para estar em cima da mesa do restaurante do hotel, para ele comer sossegado. Depois das queixas feitas pela educadora, os pais lá foram ao pediatra e a receita foi: menos televisão, mais brincadeira com os pais. O menino, de quatro anos, mudou da noite para o dia, está mais calmo.
Quantas vez tenho escrito sobre os malefícios da televisão e do computador em crianças tão pequenas?
Escreve Alice Vieira:

"Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas.
Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs. E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossos olhos, tivermos outros olhos. Se diante do nosso rosto tivermos outro rosto. Humano.
E por isso as nossas crianças crescem sem emoções. Crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam.
Durante anos - por culpa nossa - foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido.
Durante anos - por culpa nossa - foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis, e que nada, absolutamente nada, dava trabalho.
Durante anos, todos nós, pais, avós, professores, fomos deixando que isso acontecesse.
E, de repente, os jornais e as televisões trazem-nos relatos de jovens que agridem professores na sala de aula e nós olhamos para tudo muito admirados - como se nada fosse connosco.
Mas é."

Pois é...
Por estes dias, O Livro da Avó Alice pode ser lido pelos pais, e depois, no dia 1, dia da Mãe, ofereçam-no às avós (é o que eu vou fazer...)!
BW

terça-feira, 26 de abril de 2011

Difícil é educá-los

Depois do livro de Maria do Carmo Vieira, especificamente sobre o ensino da língua portuguesa, e sobre o qual acabei por escrever aqui , a propósito dos clássicos, e também aqui, sobre a terminologia linguística, foi agora a vez de ler um outro ensaio da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre a educação. Este, agora mais generalista, é da autoria de David Justino.


Prometendo ser apartidário, este ensaio, de um antigo Ministro da Educação, afigura-se como uma obra de muita qualidade, um olhar pela história da escola e educação em Portugal, uma leitura crítica do que foi feito e do que ficou por fazer.


Escolhi alguns excertos que irei publicar no Educar em Português, nomeadamente aqueles que me parecem tocar nos principais pontos fracos do nosso sistema de educação.


Devo dizer que, quando terminei a leitura, concordando com algumas reflexões e discordando de outras, mas reconhecendo-lhes importância, lastimei o facto de termos tanto diagnóstico feito e tão poucas mudanças.


Com o título a parodiar a frase dos professores, difícil é sentá-los, este difícil é educá-los é uma leitura que recomendo a todos, especialmente aos professores. Fácil de encontrar, das livrarias aos hipermercados, por cerca de 3 euros, uma leitura séria sobre a educação em Portugal.

Ana Soares

domingo, 17 de abril de 2011

A autoridade dos professores

Como professora, às vezes não me apetece falar de educação nem de escola. Sobretudo com pais. Estamos de fim-de-semana, fala-se das notas ou escola dos miúdos e lá começa o rol de queixas acerca dos professores. Ora a professora que mandou ler um livro que não há nas livrarias, ora a professora que na aula de expressão plástica não ajudou a criança a fazer a boneca de trapos. E conclui-se a conversa dizendo "E, para a professora aprender, lá fizemos em casa uma boneca mais bonita que a criança levou para a escola!". Às vezes perco mesmo a paciência... Que culpa tem a professora se os stocks das livrarias são baixos e as mesmas cada vez têm menos livros? E o que fariam os pais se em vez de 1, 2 ou 3 crianças para ajudar a fazer os trabalhos manuais tivessem 28? E todas estas conversas são orgulhosamente tidas à frente das crianças, os pais quais leões a proteger as suas crias... Depois queixamo-nos que os professores não são respeitados. Claro!

Como mãe, também já perdi a paciência para as referidas historietas. Neste último papel, às vezes posso não compreender ou eventualmente não concordar com a 'versão' que me chega de algo que se passou na escola ( e reforço 'versão', pois muitas vezes é isso que os miúdos levam para casa), mas a nossa postura tem sido sempre a mesma: os professores lá têm a sua razão e saberão certamente o que estão a fazer. Assim se educa para o respeito e se contribui para o reforço da autoridade dos professores. Ponto.

Ana Soares

sexta-feira, 18 de março de 2011

A preparar um Feliz Dia do Pai...

I'm watching you dad.

Always.


Eles estão sempre a ver-nos. E eles aprendem mais com as nossas acções do que com as nossas palavras.
Um dia, vão olhar para o trabalho, obrigações e família como nos vêem a nós encará-las. Com a mesma alegria ou enfado; com a mesma disponibilidade ou sentido de obrigação; com a mesma dedicação ou desprezo.
Por isso, pais e mães, cuidado com os gestos.

Veja e ouça este vídeo. É uma excelente lição.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A mãe tigre e as suas crias

Nunca puderam escolher as extra-curriculares, fazer expressão dramática ou decidir que instrumento gostariam de tocar. Aliás, só poderiam escolher um de dois: piano e violino. Uma toca piano e a outra violino.
Nunca puderam ir a uma festa de amigos que implicasse dormir fora de casa, uma pijama party tão popular entre as meninas de 10/12 anos. Nunca puderam trazer notas médias para casa.
Um dia, Amy devolveu os desenhos que as filhas fizeram para o dia da mãe porque não estavam suficientemente bons e ela merece o melhor (como qualquer mãe)!
A filha mais velha sempre acatou as decisões da mãe, a mais nova nem por isso.

Ainda nenhuma se suicidou, nem se revoltou contra este modo exigente de serem educadas. São excelentes alunas e adoram a mãe.
O modo como Amy Chua educa é exigente. Os EUA ficaram a conhecê-lo através de um livro. Nós, através da polémica que a obra tem gerado por lá. É conhecida como a "mãe tigre", uma alusão ao título do livro Battle Hymn of the Tiger Mother.
Há quem questione se aquele modo de educar é herança chinesa, Amy é americana, mas os pais são imigrantes chineses. Se naquela exigência está o segredo do sucesso da China.
O meu filho de 13 anos diz que "não" e eu tendo a concordar: A política do filho único não faz pais exigentes, mas pais que estragam os filhos, diz ele.
A exigência não é própria de uma etnia ou cultura. Há pais exigentes em todas os países, em todas as classes. A exigência não é má. Não podemos é perder o bom senso.
BW

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Geração à rasca"

Em 2008, nesta reportagem, já tinham passado 13 anos sobre a geração rasca de 1995 , que nasceu da contestação às propinas, e que mostrava o rabo na rua, em manifestações teoricamente de cariz associativo. Na edição especial da REPORTAGEM SIC, falou-se, a semana passada, de educação e desemprego pegando na música "que parva que eu sou", propondo-se uma nova designação para a presente geração: "geração à rasca". Ultrapassando a primeira designação (geração rasca) e uma outra mais actual que já vai circulando, sobretudo na net, geração deolinda, esta nova proposta vem ao encontro da análise que se faz do país e das dificuldades dos jovens.
Na minha geração, ter canudo era garantia de emprego, provavelmente bom. Na presente geração, o canudo continua a ser importante, conforme os números mostram, mas nem todos conseguem o tão ambicionado emprego "na área". Todos conhecemos jovens formados desempregados. Mas certamente que conhecemos mais jovens desempregados entre o grupo dos que não têm formação. A reportagem da Sic foi algo contraditória: os níveis de desemprego apresentados são dramáticos, assim como os casos apresentados, no entanto, vimos, por exemplo, o reitor da Universidade Técnica de Lisboa assegurar que todos os seus licenciados encontram emprego, a maior parte deles no espaço de 6 meses após a conclusão do curso. Destacou que tal facto se deve à qualidade da formação e da boa comunicação e protocolos que a universidade encetou com as empresas.

É também preciso ter sorte, é verdade. Mas concluo que é essencial ser-se bom. E só se pode ser bom com uma escolha certa do tipo de formação e curso. De que interessa ter feito um curso superior com média de 10 ou 11? Não será, nestes casos, melhor uma formação profissional onde o aluno pode mostrar outras competências e valências?

Estudar, sim. Sempre. E ao longo da vida. Mas com boas escolhas que nos ajudem no futuro. Não sejamos líricos. Sobretudo nos tempos que correm, há que ser bom e fazer escolhas inteligentes.

Ana Soares

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Quando a escola é a única alternativa...

Ainda sobre a questão do número de horas curriculares, a reflexão, efectivamente, ultrapassa o domínio da educação, conforme um nosso leitor já referiu. Trata-se de uma questão política, cultural e geracional. A escola a tempo inteiro é uma necessidade que decorre das condições de trabalho dos portugueses, ou melhor, da falta das mesmas. O número de horas que as famílias têm de ter dos filhos nas escolas, actividades extra curriculares, avós, amas, etc. são consequência desta pseudo-cultura do trabalho, em que os horários se estendem muitas vezes das 9 às 9. E não estamos a falar do trabalho por turnos, ou dos serviços que necessariamente têm horários alargados. Além disso, a moda de que só é bem visto quem sai mais tarde do seu posto de trabalho pegou. Ainda que tenha passado metade do dia no facebook a criar vacas cor de rosa. Há ainda o caso daqueles pais que se desdobram e acumulam funções ou empregos. Conheço uma mãe solteira que aos dias de semana tem um emprego das 8 às 18. Ao sábado começa às 6 num café e ainda faz artesanato para levar a feiras. Não acumula "empregos" por gosto. Mas para poder dar conforto e qualidade de vida à filha que educa sozinha.
Enquanto não se resolver esta questão de fundo, do mundo do trabalho, a escola tem de dar respostas. É verdade. Eu também acho que um turno de aulas pode ser suficiente para se aprender bem. Mas de modo a que outras competências possam ser desenvolvidas é preciso ter família com tempo, devem existir outras actividades, etc. As condições socio-económicas e laborais das famílias da nossa geração não permitem que as mesmas possam ter lugar. A escola tem, então, de dar resposta. Para além do currículo, a escola deve, por isso, ver complementadas as suas propostas curriculares com actividades de outros domínios: música, desporto, etc. Mas isto é uma pescadinha de rabo na boca. Com os cortes orçamentais, quem paga estas actividades?
Ouvi ontem uma mãe dizer, a propósito deste assunto, que escolheu ter filhos para estar com eles e os ver crescer. Assim, é o pai que trata das crianças de manhã e as leva à escola. A mãe começa a trabalhar ainda antes das 8 da manhã de modo a poder sair mais cedo e estar disponível para ir buscar as crianças à escola e poder acompanhá-las. Esta é a solução possível (para alguns). É preciso querer. É preciso escolher e fazer opções. Mas também é preciso ter algumas condições ou sorte para que o querer e as escolhas possam ter lugar.

Ana Soares

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ler a meias

Ele já lê, mas demora ainda algum tempo a avançar nas histórias, pelo que fica impaciente e cheio de vontade de virar páginas. Por outro lado, (ainda) não me apetece deixar de lhe ler (será que me vai apetecer algum dia?). Já me imagino a sentir falta daqueles mimos do fim do dia em volta de um livro e uma boa história. Assim, agradando aos dois, lemos a meias. Uma página lê ele, a outra leio eu. Se for bd, cada um lê uma vinheta. Mas às vezes fazemos um bocadinho de batotice. Deixo-o ler a página que tem a parte mais emocionante da história ou uma ilustração de que ele gosta especialmente. É batota, mas acho que ele não se importa. Até ver...

Ana Soares

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Quem manda lá em casa? IV

Subscrevo as ideias da Bárbara. Acrescento só que fiquei a pensar na resposta à pergunta que deu o nome a este debate da PAIS e Filhos.


Quem manda lá em casa?

A geração dos nossos pais e avós diria sem hesitações:
São os pais que mandam!

A nossa geração queixa-se e diz:

São eles que mandam! Mandam nas compras do supermercado (porque os pais deixam que eles mandem, por isso não se queixem, pais); mandam nos horários (porque tem de ser); mandam nas horas de sono, etc, etc.


Os nossos filhos fazem parte do nosso projecto de família, do nosso projecto de realização enquanto ser humanos. Assim sendo, é claro que, apesar das mudanças que ter filhos traz às nossas vidas, somos nós que mandamos! No nosso caso, muito claramente, fomos nós que escolhemos este projecto que iria mudar a nossa vida, ritmos, horas, opções, mas que, acima de tudo, nos iria fazer muito felizes. E faz! Sem dúvida.

Ana Soares



terça-feira, 30 de novembro de 2010

Quem manda lá em casa? III


Descomplicar, simplificar, olharmos para os nossos filhos e nada de transmitirmos stress desnecessário, recomenda Patrícia Bandeira, educadora de infância no Externato da Torre.
Um casal mostra-se preocupado com uma criança de 14 meses, um "piratinha"; outro preocupa-se com uma menina de dois anos e meio, que é "terrível". Se os apelidarmos é meio caminho andado para que se transformem naquilo que lhes chamamos, alerta Helena Águeda Marujo.
Helena Águeda Marujo e Paulo Oom concordam em muitas coisas mas há uma que me chama a atenção: Provavelmente nunca houve geração de pais tão preocupados com a educação dos filhos como os actuais. Provavelmente muitos dos "problemas" que os miúdos têm devem-se à atenção e à pressão que exercemos sobre eles. Muitas vezes, na busca da solução, acabamos por arranjar mais problemas, alertam.
Porque é que os pais não vão jantar fora, à luz das velas, sugere Patrícia Bandeira. Porque a vida do casal é importante para a estabilidade dos filhos.
BW
PS: Doug Savage, o cartoonista das galinhas, foi dado a conhecer por Helena Águeda Marujo. Obrigada.

Quem manda lá em casa? III

Que pais queremos ser?, pergunta a psicóloga e professora Helena Águeda Marujo, no mesmo encontro promovido pela PAIS & Filhos.

Que valores e que emoções é que mandam na nossa casa?

Onde é que pomos a nossa atenção? Há vida além dos filhos? E o casal?

Qual o sentido da nossa existência? Que valor tem a parentalidade nesse sentido dado à existência?

Que histórias ou estórias podem influenciar o nosso modo de educar, de estar na vida, de estar com os outros? Até que ponto não reproduzimos histórias passadas?

Quem muda? Quem aprende? Os adultos podem aprender? Os adultos podem transformar-se? "A nossa capacidade de aprender é estimulada pela parentalidade", começa por dizer Helena Águeda Marujo, como que a responder antecipadamente a todas as perguntas que coloca.

BW

Quem manda lá em casa? II

Somos de certeza nós! Por mais medo, mais inseguranças, mais stress, mais dúvidas que tenhamos, temos que ser nós!
A ideia de reunir a educadora Patrícia Bandeira, a psicóloga Helena Águeda Marujo e o pediatra Paulo Oom foi da PAIS & Filhos, a revista que ajuda muitos de nós a ser educadores mais atentos. Foram três horas de perguntas e respostas.
Não há fórmulas mágicas, diz Paulo Oom, mas há pistas que os pais podem seguir. Por exemplo, criar um bom ambiente em casa, com "pais e filhos que se divertem, a tarefa de educar é mais fácil", defende.
Há que escolher bem as batalhas, ou seja, há coisas graves em que devemos claramente intervir; há outras que nem por isso e não devemos dar a importância que por vezes damos (como os amuos). Educar dá trabalho, é preciso muita paciência, conhecer os nossos próprios limites e "saber sair de cena".
A ideia de "sair de cena" é inovadora para mim e vou experimentá-la, diz que é melhor do que começar aos gritos. No fundo, é respirar, ser sincera e dizer: "Agora, estou irritada, já falamos". Na verdade é aquele "contar até dez" que muitos tentam fazer (ou fazem mesmo, eu sou das que tentam e só chegam ao três porque ao quatro já estou a falar uns decibéis acima da norma). Quando era pequena, o meu pai dizia que eu devia ter um botão no boca e pô-lo e tirá-lo três vezes antes de dizer fosse o que fosse... Parece que continua a ser uma mensagem válida!
BW

sábado, 13 de novembro de 2010

Não às portagens, muito menos às automáticas!

É uma questão de educação cívica: Não tenho Via Verde e evito as novas portagens automáticas, em que uma simpática máquina fala comigo. A primeira vez que aconteceu, há umas semanas, rimo-nos imenso porque todos falámos com a máquina e desejámos-lhe uma "boa tarde", enquanto ela repetia: "retire o cartão".
À segunda, já não caímos e lá fomos para a cabine onde havia uma pessoa. É um facto que no banco de trás, eles preferiam que tivessemos Via Verde, em vez de ficarmos numa fila de "totós", à espera de sermos atendidos. "E porque é que não vamos falar com a máquina?", perguntam impacientes. Porque estamos ali para que o trabalho daquela pessoa continue a fazer sentido, para que não seja substituida por uma máquina, para que não engrosse as estatísticas do desemprego. É assim na auto-estrada e no hipermercado, mesmo quando a senhora do outro lado é pouco competente e não nos recebe com o mesmo entusiasmo que a máquina, nem responde aos nossos desejos de "boa tarde"...
BW

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ler faz bem a tudo!

"Quando se aprende a ler, é como se uma armada vitoriosa chegasse às costas desprevenidas do nosso cérebro. Muda-o para sempre, conquistando territórios que eram utilizados para processar outros estímulos - para reconhecer faces, por exemplo - e estendendo a sua influência a áreas relacionadas, como o córtex auditivo, para criar a sua própria fortaleza: uma nova zona especializada, a Área da Forma Visual das Palavras. Isto acontece sempre, quer se tenha aprendido a ler aos seis anos ou já na idade adulta.
Esta é uma das conclusões de um estudo internacional publicado hoje na edição online da revista Science, em que participaram cientistas portugueses - e voluntários portugueses também, pessoas que aprenderam a ler já tarde na vida."

Leia mais aqui!
BW

domingo, 24 de outubro de 2010

O Elemento, de Ken Robinson




É de 2006 e já conhecia... Na verdade, andei à procura no blogue e não encontrei mas provavelmente já o partilhei aqui... Se sim, peço desculpa e... Revejam!
Lembrei-me deste video porque vi Ken Robinson em Portugal há uns anos e gostei. Voltei a encontrá-lo nas livrarias, desta vez em forma de livro. Foi lançado, pela Porto Editora, O Elemento que fala de educação, das escolas matarem a criatividade dos mais novos, dos diferentes tipos de inteligência, do futuro da educação e da necessidade de cada um de nós (sobretudo os filhos), descobrirmos "o elemento", o que adoramos fazer e a possibilidade de conseguirmos conciliar o que gostamos com o que fazemos!
Este video é um bom resumo dos primeiros capítulos do livro (que ainda estou a ler) e conta a história de Gillian Lynn, a menina que na década de 1930 não parava quieta na sala de aula, que a escola queria por numa turma para crianças com necessidades educativas especiais (o rótulo ainda não era conhecido) e cuja mãe a levou a um psiquiatra. O médico não diagnosticou hiperactividade, nem lhe deu ritalina (também ainda não tinham sido inventadas) mas aconselhou-a a pôr a menina numa escola de dança.
Gillian foi bailarina e criadora das coreografias de Cats ou do Fantasma da Ópera. Mas há outros exemplos como Mick Fleetwood, baterista e fundador da banda Fleetwood Mac, o prémio Nobel da Economia Paul Samuelson (quem não tem a sua bíblia em casa?) e muitos outros.
Não sei se fala de Michael Phelps, o nadador norte-americano mais medalhado em Pequim, mas ainda não me esqueci de uma das primeiras declarações que fez, pós-ganhar tantas medalhas, foi para lembrar a professora que lhe disse que ele nunca ia fazer nada na vida. De uma forma ou de outra, os professores marcam-nos para sempre!
Às vezes, os pais e a escola têm dificuldade em descobrir o que é que os filhos e alunos têm de melhor e potenciá-lo.
É preciso estarmos atentos. Até porque, aparentemente, a sociedade está a deixar de formar para o emprego seguro e duradouro, mas para o emprego criativo, para o próprio emprego!
BW

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Quanto custa educar um filho?

Falámos com famílias diferentes. Ok, são todas numerosas e em quatro, três são de uma classe média/média-alta. Por isso, gostei tanto (e sofri, que ouvir pessoas também tem destas coisas, de nos envolvermos e assim) de conhecer a família Inácio porque Rute, doente e desempregada, quer para os filhos exactamente o que os outros pais da reportagem (um arquitecto, um médico, uma professora, uma funcionária pública, etc...) querem: uma educação de qualidade, um futuro que sabe que passa pela educação que der aos filhos. Tal como os outros (ou mais do que os outros) esta mãe sabe que a educação não é só a escola, é tudo o que dá aos filhos, da alimentação às idas ao museu, da saúde à religião.
Para ler, com paciência porque é muito comprido, aqui.
BW

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Entrevista a Jorge e Daniel Sampaio

Tem precisamente um mês a entrevista feita por Anabela Mota Ribeiro para a Pública aos dois irmãos Sampaio, o ex-Presidente da República Jorge Sampaio e o professor catedrático da Universidade de Lisboa Daniel Sampaio.
O que podemos aprender com Arnaldo Sampaio e Fernanda Bensaúde Branco de Sampaio, os pais destes dois irmãos?

Jorge Sampaio:

"Os seus pais promoviam a individualidade? Que existissem autonomamente, sem uma ligação umbilical permanente?
Isso sim, no sentido de cada um ser aquilo para que tem vocação. Um por todos e todos por um - não gosto da divisa, mas é significativa, praticamo-la muito. Outra divisa: a necessidade de falar sempre a verdade. Uma vez, sobre um ponto do liceu não disse a verdade sobre a nota que tinha tido. Isso durou meio dia. (...) No caderno estava uma nota pior do que aquela que eu tinha dito. "Isso não se pode fazer" [disse o pai]. Foi à estante e tirou um livro, era a história de um jovem a quem foi feita uma perseguição injustamente e o pai bateu-se por ele até ao fim. (...) "Lê este livro, tens de ser assim para eu ter confiança em ti".
(...)
Quando teve medo de dizer a nota verdadeira teve medo de o defraudar?
Acho que éramos educados para não falhar. (...) Nós podíamos falhar, tínhamos compreensão. Mas escamotear que falhámos era mau. Era preciso dizer que estávamos ali prontos para ir à luta, para levar as coisas a sério."



Daniel Sampaio:

"Fale-me das pessoas da família que acha que são importantes nas vossas vidas, mais especificamente na sua vida.
Os pais, porque eram educadores muito bons. Eram educadores para a cultura, estavam sempre a fomentar o estudo, a reflexão, a leitura. As refeições ao jantar eram a discutir temas, não havia conversa mole; às vezes até era um bocadinho exagerado e protestávamos contra isso. Mas hoje vejo que foi uma coisa boa solicitar constantemente a nossa opinião sobre as coisas e saber o que estávamos a pensar. (...)
Sentiu-se na infância especialmente amado pelos seus pais?
Senti-me muito admirado. (...) Os meus pais não eram pessoas que demosntrassem um grande afecto do ponto de vista da proximidade física. Mas estamos a falar dos anos 60, 50.
E do que era ser pai e mãe então.
A distância entre gerações era enorme. (...) Não havia essas demonstrações de afecto que adoro nos pais de hoje, de andarem com os filhos pendurados.
Mas admiração é diferente de expressão de amor. Isso levanta uma questão interessante: perceber se podia falhar e se tinha medo de defraudar as expectativas que tinham em si.
Claro que sim, os meus pais não admitiam fracasso em nenhum campo. Não se podia falhar nos estudos, nas horas, não se podia falhar sequer nos namoros. Tínhamos de ser muito responsáveis com as raparigas.
Não as engravidar - é disso que estamos a falar?
Sim, respeitá-las como pessoas, não andar a saltar de umas para as outras. A educação era muito séria e exigente. Mas disso estou extremamente grato. Não chego atrasado a lado nenhum, nunca falto ao hospital. (...) Faltar à escola porque se tem uma dor de cabeça? Tomávamos uma aspirina e íamos às aulas. Nunca nos desculpávamos, nunca dissemos que não podíamos ir porque estavamos cansados. Os nossos pais não diziam para sermos os melhores, diziam para fazermos o melhor possível. E quando se faz o melhor de que se é capaz, às vezes é-se o melhor."

terça-feira, 10 de agosto de 2010

sentir na infância


"Uma das armadilhas da infância é que não é preciso compreender para sentir. Na altura em que a razão é capaz de compreender o sucedido, as feridas no coração já são demasiado profundas."


Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento


Um romance do espanhol Carlos Ruiz Zafon, premiado pelas Correntes d'Escritas em 2006, em torno dos livros e que, aparentemente nada tem a ver com a educação num sentido estrito. Na verdade, embora acompanhemos o crescimento de uma criança até à vida adulta na Espanha ditatorial, o eixo central do romance são os livros e a forma como os mesmos perturbam e interferem com a vida das pessoas. Tudo começa quando o pai leva o filho ao Cemitério dos Livros Esquecidos e, aí, ele escolhe o seu primeiro livro.

Numa teia extremamente bem urdida que une várias intrigas em torno de uma história central, e numa escrita deliciosa, o autor fala-nos da vida: das crianças, das mulheres, da política, da família, no fundo, fala-nos da vida.


Ana Soares