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sábado, 14 de maio de 2011

As novas tecnologias na educação


"Há um ganho evidente na familiarização (...) [com] as novas tecnologias com as quais [o aluno] vai ter de lidar na sua vida futura. Contudo, as tecnologias não passam de instrumentos, sofisticados e atraentes, sem dúvida, mas tão-só instrumentos. (...) É pela educação que se chega à tecnologia e não o contrário."

David Justino, Difícil é Educá-los, p. 83


Compreendo, mas concordo só em certa medida. É que os alunos que hoje chegam à escola são já alunos tecnológicos e estes esperam da escola mais do que esta oferecia às gerações pré-boom tecnológico. Por isso, a tecnologia tem de ser também um meio para levar a escola e os alunos à educação. Todavia, tecnologia sem conhecimento é uma falácia. Claro.
Não retirando o primado ao desenvolvimento de competências cognitivas e capacidade de raciocínio lógico, a tecnologia tem de estar ao serviço da nova escola do século XXI.

Ana Soares

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A avó Alice

Alice Vieira é uma escritora de mão cheia!
Histórias simples, bem escritas, tão coladas aos miúdos de hoje em dia. Nos seus livros existem os problemas, as alegrias, o modo de falar e de estar das crianças e jovens da actualidade.
Agora, Alice Vieira, a avó, escreveu para as avós, mas não só - que eu estou longe de ser avó e estou a lê-lo com a máxima atenção. Chama-se O Livro da Avó Alice e continuo a lê-lo em voz alta, para quem me quer ouvir, lá em casa, ao telefone, e agora aqui, uns bocadinhos que reflectem o que também tenho escrito neste blogue, mas que Alice Vieira faz muito melhor do que eu.

O filho de um amigo meu não pára quieto, não sabe brincar, não sabe interagir com as outras crianças, bate-lhes. Em casa, passa as refeições à frente de um ecrã; quando viaja, o DVD está incrustado no assento da mãe, onde vê filmes; de férias, os pais levam um aparelho com DVD para estar em cima da mesa do restaurante do hotel, para ele comer sossegado. Depois das queixas feitas pela educadora, os pais lá foram ao pediatra e a receita foi: menos televisão, mais brincadeira com os pais. O menino, de quatro anos, mudou da noite para o dia, está mais calmo.
Quantas vez tenho escrito sobre os malefícios da televisão e do computador em crianças tão pequenas?
Escreve Alice Vieira:

"Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas.
Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs. E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossos olhos, tivermos outros olhos. Se diante do nosso rosto tivermos outro rosto. Humano.
E por isso as nossas crianças crescem sem emoções. Crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam.
Durante anos - por culpa nossa - foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido.
Durante anos - por culpa nossa - foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis, e que nada, absolutamente nada, dava trabalho.
Durante anos, todos nós, pais, avós, professores, fomos deixando que isso acontecesse.
E, de repente, os jornais e as televisões trazem-nos relatos de jovens que agridem professores na sala de aula e nós olhamos para tudo muito admirados - como se nada fosse connosco.
Mas é."

Pois é...
Por estes dias, O Livro da Avó Alice pode ser lido pelos pais, e depois, no dia 1, dia da Mãe, ofereçam-no às avós (é o que eu vou fazer...)!
BW

terça-feira, 26 de abril de 2011

Difícil é educá-los

Depois do livro de Maria do Carmo Vieira, especificamente sobre o ensino da língua portuguesa, e sobre o qual acabei por escrever aqui , a propósito dos clássicos, e também aqui, sobre a terminologia linguística, foi agora a vez de ler um outro ensaio da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre a educação. Este, agora mais generalista, é da autoria de David Justino.


Prometendo ser apartidário, este ensaio, de um antigo Ministro da Educação, afigura-se como uma obra de muita qualidade, um olhar pela história da escola e educação em Portugal, uma leitura crítica do que foi feito e do que ficou por fazer.


Escolhi alguns excertos que irei publicar no Educar em Português, nomeadamente aqueles que me parecem tocar nos principais pontos fracos do nosso sistema de educação.


Devo dizer que, quando terminei a leitura, concordando com algumas reflexões e discordando de outras, mas reconhecendo-lhes importância, lastimei o facto de termos tanto diagnóstico feito e tão poucas mudanças.


Com o título a parodiar a frase dos professores, difícil é sentá-los, este difícil é educá-los é uma leitura que recomendo a todos, especialmente aos professores. Fácil de encontrar, das livrarias aos hipermercados, por cerca de 3 euros, uma leitura séria sobre a educação em Portugal.

Ana Soares

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Governo Sócrates em balanço

O PÚBLICO está a fazer um balanço do Governo Sócrates, os seis anos do executivo, em diversas áreas. Hoje foi a vez da Educação, centrada apenas no mandato de Isabel Alçada. Um trabalho de Clara Viana completo, onde foram ouvidos não só os partidos mas também os professores. O título da primeira página do PÚBLICO é apetecível: "Mudança cosmética" deixou quase tudo por fazer na Educação. A ler.
BW

segunda-feira, 14 de março de 2011

Latim de novo nas escolas?

Descobri duas escolas onde se aprende Latim desde o 5.º ano.
Para ser mais precisa: uma onde se aprende do 5.º ao 8.º ano; outra onde primeiro se aprende cultura greco-romana e depois Latim.

Nos EUA, Inglaterra e afins há um movimento de retorno ao Latim, com estudos onde se conclui que o regresso aos clássicos "fazem bem à sáude" dos alunos, ao seu rendimento e sucesso académico quer na Língua Materna como na Matemática.
Cá, chega tudo um bocadinho mais tarde. O Latim voltará às escolas portuguesas?
BW

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Geração à rasca"

Em 2008, nesta reportagem, já tinham passado 13 anos sobre a geração rasca de 1995 , que nasceu da contestação às propinas, e que mostrava o rabo na rua, em manifestações teoricamente de cariz associativo. Na edição especial da REPORTAGEM SIC, falou-se, a semana passada, de educação e desemprego pegando na música "que parva que eu sou", propondo-se uma nova designação para a presente geração: "geração à rasca". Ultrapassando a primeira designação (geração rasca) e uma outra mais actual que já vai circulando, sobretudo na net, geração deolinda, esta nova proposta vem ao encontro da análise que se faz do país e das dificuldades dos jovens.
Na minha geração, ter canudo era garantia de emprego, provavelmente bom. Na presente geração, o canudo continua a ser importante, conforme os números mostram, mas nem todos conseguem o tão ambicionado emprego "na área". Todos conhecemos jovens formados desempregados. Mas certamente que conhecemos mais jovens desempregados entre o grupo dos que não têm formação. A reportagem da Sic foi algo contraditória: os níveis de desemprego apresentados são dramáticos, assim como os casos apresentados, no entanto, vimos, por exemplo, o reitor da Universidade Técnica de Lisboa assegurar que todos os seus licenciados encontram emprego, a maior parte deles no espaço de 6 meses após a conclusão do curso. Destacou que tal facto se deve à qualidade da formação e da boa comunicação e protocolos que a universidade encetou com as empresas.

É também preciso ter sorte, é verdade. Mas concluo que é essencial ser-se bom. E só se pode ser bom com uma escolha certa do tipo de formação e curso. De que interessa ter feito um curso superior com média de 10 ou 11? Não será, nestes casos, melhor uma formação profissional onde o aluno pode mostrar outras competências e valências?

Estudar, sim. Sempre. E ao longo da vida. Mas com boas escolhas que nos ajudem no futuro. Não sejamos líricos. Sobretudo nos tempos que correm, há que ser bom e fazer escolhas inteligentes.

Ana Soares

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Outras contas...

Depois das contas ao número de horas curriculares e número de professores desempregados, temos agora outras contas. As da Srª Ministra e dos custos dos alunos na escola pública. Os cortes anunciados na educação vão tornar os nossos alunos 435 euros mais baratos no próximo ano! O custo por aluno na escola pública será de cerca de 3300 euros por ano, enquanto neste ano é de 3735 euros.

Quanto aos colegas de Educação Visual, anuncia o secretário de estado Alexandre Ventura, não haverá despedimentos. Como? A resposta foi dada pelo próprio: muitos destes professores estão nos últimos escalões e em breve vão aposentar-se...
Espreite a notícia do Público, aqui.

Ana Soares

Em tempos de crise ... corta-se na educação.

Na Escócia discute-se a hipótese de, devido à crise, a semana escolar passar a ser de 4 dias e/ou as crianças entrarem um ano mais tarde para a escola. O projecto não deve ter pernas para andar, mas a situação é-nos familiar: em tempos de crise ... corta-se na educação.
Pode ler a notícia da BBC aqui.
Ana Soares

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

GPS: não há muitas novidades...

... como se pode ver pela notícia do DN . E não é por falta de investigação ou de insistência dos jornalistas, é por falta de respostas.
Entretanto, o PSD começa a preparar-se para a governação, a medo, mas lá vai... Joaquim Azevedo, ex-secretário de Estado da Educação diz que o "Ministério da Educação pode ser implodido sem nenhum problema", que é como quem diz que a máquina burocrática da 5 de Outubro, da 24 de Julho e das DREs pode ser desmantelada.

E dizer ainda que o debate de ontem à noite do Prós e Contras foi confrangedor para todos: para a ministra (que esteve pouco à-vontade), para Pedro Duarte (que já estava a defender o cheque ensino, o PSD quer abrir essa porta?), para Nuno Crato (que de Educação só sabe falar da necessidade das provas de aferição e dos exames serem mais exigentes), para o professor do ano (que parecia que ia chorar a qualquer momento, mas que disse coisas interessantes sobre o que se passa realmente nas escolas), para os representantes dos colégios com contratos de associação (que não conseguiram fazer passar a mensagem - essa foi a parte em que Isabel Alçada esteve mais segura); e para Fátima Campos Ferreira que não sabe do que é que está a falar, mas fala com todas as certezas deste mundo.
Os homens da noite foram: O pai António ("Fátima, chame-me António que eu gosto mais", foi o máximo!, respondeu quando a apresentadora se enganou e chamou-lhe Afonso) trazia os números de quanto custa um aluno na escola pública, chamou mentirosa à minista e ainda promoveu Mário Nogueira a "secretário de Estado da Fenprof" - foi o momento da noite. Mário Nogueira esteve bem e era o único que realmente sabia do que é que se estava a falar.
BW

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O poder dos pais

Uma amiga mudou um dos filhos do colégio para a escola pública e está satisfeitissima. Dizia-me que no colégio falava, falava, o director dava-lhe razão mas encolhia os ombros e a desculpa era sempre a mesma: "O professor é efectivo..."; era difícil mobilizar os pais, mais preocupados com instalações e custo do colégio do que com o que se passava na sala de aula.
Agora, na escola pública, a minha amiga é o terror dos "maus" professores. A minha amiga telefona aos outros pais, reúne com eles, junta-os e, à conta destes pais, já três professores foram "remodelados". Em contrapartida, estes pais juntam-se para angariar dinheiro para a escola, para as visitas de estudo ou viagens dos miúdos com mais necessidade, para as actividades que a escola quer fazer como as feiras e exposições. A directora sabe que pode contar com eles e a minha amiga está mesmo, mesmo feliz. "No colégio não era nada assim, bendita escola pública!"

Conta-me uma investigadora que não tem dúvidas que o poder dos pais na escola pública é maior do que na privada, sobretudo nas terras mais pequenas, não em Lisboa ou no Porto, mas no resto do país, onde as direcções das escolas não querem contrariar os pais.
Esta investigadora explica que os pais, ciosos por uma melhor educação, são exigentes porque em cidades de média ou pequena dimensão não há muito por onde escolher. Por vezes, há só aquela escola, por isso, os pais querem que seja a melhor e fazem por isso. Exigem-no.

A minha amiga tem a certeza que tem o filho na melhor escola pública da cidade e já só pensa no fim do ano para mudar o outro filho para aquela escola. "Os pais estão ao lado da directora e ela sabe que pode contar connosco", diz-me. O próximo professor que não cumprir os requisitos que aqueles pais exigem que se cuide!
BW

sábado, 11 de dezembro de 2010

As dúvidas que o PISA coloca...

... são respondidas aqui .
E mais um trabalho bonito (eu adoro fazer trabalhos bonitos!, este com uma ajudinha da Natália Faria) sobre as escolas portuguesas seleccionadas pela OCDE para fazerem parte de um compêndio de arquitectura escolar. Aqui e aqui . Acho que só as fotografias deste trabalho merecem que hoje vá à rua e compre o PÚBLICO!
Bom fim-de-semana!
BW
PS: Eu não tenho dúvidas que um bom ambiente escolar, uma escola bonita, confortável, é meio caminho para o sucesso! Mas não é tudo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Quem manda lá em casa? III


Descomplicar, simplificar, olharmos para os nossos filhos e nada de transmitirmos stress desnecessário, recomenda Patrícia Bandeira, educadora de infância no Externato da Torre.
Um casal mostra-se preocupado com uma criança de 14 meses, um "piratinha"; outro preocupa-se com uma menina de dois anos e meio, que é "terrível". Se os apelidarmos é meio caminho andado para que se transformem naquilo que lhes chamamos, alerta Helena Águeda Marujo.
Helena Águeda Marujo e Paulo Oom concordam em muitas coisas mas há uma que me chama a atenção: Provavelmente nunca houve geração de pais tão preocupados com a educação dos filhos como os actuais. Provavelmente muitos dos "problemas" que os miúdos têm devem-se à atenção e à pressão que exercemos sobre eles. Muitas vezes, na busca da solução, acabamos por arranjar mais problemas, alertam.
Porque é que os pais não vão jantar fora, à luz das velas, sugere Patrícia Bandeira. Porque a vida do casal é importante para a estabilidade dos filhos.
BW
PS: Doug Savage, o cartoonista das galinhas, foi dado a conhecer por Helena Águeda Marujo. Obrigada.

Quem manda lá em casa? III

Que pais queremos ser?, pergunta a psicóloga e professora Helena Águeda Marujo, no mesmo encontro promovido pela PAIS & Filhos.

Que valores e que emoções é que mandam na nossa casa?

Onde é que pomos a nossa atenção? Há vida além dos filhos? E o casal?

Qual o sentido da nossa existência? Que valor tem a parentalidade nesse sentido dado à existência?

Que histórias ou estórias podem influenciar o nosso modo de educar, de estar na vida, de estar com os outros? Até que ponto não reproduzimos histórias passadas?

Quem muda? Quem aprende? Os adultos podem aprender? Os adultos podem transformar-se? "A nossa capacidade de aprender é estimulada pela parentalidade", começa por dizer Helena Águeda Marujo, como que a responder antecipadamente a todas as perguntas que coloca.

BW

Quem manda lá em casa? II

Somos de certeza nós! Por mais medo, mais inseguranças, mais stress, mais dúvidas que tenhamos, temos que ser nós!
A ideia de reunir a educadora Patrícia Bandeira, a psicóloga Helena Águeda Marujo e o pediatra Paulo Oom foi da PAIS & Filhos, a revista que ajuda muitos de nós a ser educadores mais atentos. Foram três horas de perguntas e respostas.
Não há fórmulas mágicas, diz Paulo Oom, mas há pistas que os pais podem seguir. Por exemplo, criar um bom ambiente em casa, com "pais e filhos que se divertem, a tarefa de educar é mais fácil", defende.
Há que escolher bem as batalhas, ou seja, há coisas graves em que devemos claramente intervir; há outras que nem por isso e não devemos dar a importância que por vezes damos (como os amuos). Educar dá trabalho, é preciso muita paciência, conhecer os nossos próprios limites e "saber sair de cena".
A ideia de "sair de cena" é inovadora para mim e vou experimentá-la, diz que é melhor do que começar aos gritos. No fundo, é respirar, ser sincera e dizer: "Agora, estou irritada, já falamos". Na verdade é aquele "contar até dez" que muitos tentam fazer (ou fazem mesmo, eu sou das que tentam e só chegam ao três porque ao quatro já estou a falar uns decibéis acima da norma). Quando era pequena, o meu pai dizia que eu devia ter um botão no boca e pô-lo e tirá-lo três vezes antes de dizer fosse o que fosse... Parece que continua a ser uma mensagem válida!
BW

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Não tenho escrito aqui...

... mas ando atarefada com este post e sua caixa de comentários!
Para que fique claro: Eu não sou uma defensora acérrima do ensino privado, eu não sou contra o ensino público. Ambos têm coisas boas e coisas más. Por isso, deve haver espaço para os dois.
Eu tenho os meus filhos no ensino privado porque sim, porque quero (e porque posso); mas isso não me impede de querer que o ensino público seja bom, seja o melhor, tenha grande qualidade, para bem de todos! Da sociedade em que vivemos, do país em geral. Se todos os alunos aprenderem bem, quem sabe não sairemos desta crise mais rapidamente?
Eu não sou elitista, não sou neoliberal, nem outras coisas que se chamam aos defensores do ensino privado, da liberdade de escolha, dos cheques-ensino e afins. Eu sou apenas uma mãe que quer o melhor para os seus filhos (desculpem lá) e se esse melhor estivesse noutro lado, era lá que eu queria que os meus filhos estivessem. Agora estão no privado, no futuro estarão no público, quem sabe, depende de tantas coisas!
BW
PS: A Mulher Maravilha está aqui porque sim, porque me apeteceu! Enfim, ela sim, há-de ser uma patriota e neoliberal, defensora dos privados! Eu sou só uma patriota, baixa, redonda e de olhos castanhos, pecadora porque tenho filhos no privado...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Governo corta nos apoios ao ensino privado

Tenho uma boa escola pública perto de casa. Os meus vizinhos da frente, do outro lado da rua, podem mandar os seus filhos para essa escola. Eu não, que moro deste lado da rua, pertenço a outra que fica mais longe e é menos boa, para não dizer má (não se pode dizer que as escolas são más. Será que se pode dizer que são mal frequentadas?, também não).
Os meus filhos estão no ensino privado, num colégio que fica ao lado da tal escola boa. Os meus filhos fazem parte dos 56 por cento de alunos que não recebem qualquer apoio do Estado para frequentar o privado. Só têm o apoio dos pais que também não trabalham no sector público.
Já tentei beneficiar de um contrato simples (o Ministério da Educação dá uma quantia simbólica aos pais, dependendo de uma fórmula que é aplicada ao rendimento da família) mas, aos olhos do Estado, sou rica e nem um cêntimo para esta pobre mãe. Em contrapartida, não posso pôr todas as minhas despesas com Educação no IRS porque há um tecto e, para o ano, esse vai baixar o que significa que apresentarei ainda menos despesas (embora elas existam). Tudo somado: eu pago a educação dos meus filhos e dos filhos de outros que os têm na escola pública. Tudo bem, sou caridosa, posso fazê-lo e hei-de ganhar o céu.
Agora, fico um bocadinho irritada com o discurso da dor de cotovelo, de quem não vê além do seu umbigo. Ou seja, irrita-me quem diz: Vão cortar no ensino privado? Acho muito bem! O Estado tem que investir é na escola pública! Os meninos de bem, esses betinhos, que vão para a escola pública, que só lhes faz bem! Não têm dinheiro para continuar no privado? Azar!
Fico irritada com os invejosos que não acompanham este raciocínio. Ora vejam: nos últimos 30 anos, o Estado, em nome de uma ideologia, andou a construir escolas públicas mesmo ao lado das privadas.
As privadas já lá estavam, com boas instalações, com corpos docentes estáveis (a ganhar menos do que os do público e a trabalhar mais - é bem feita!, dizem os senhores da dor de cotovelo - que é para não serem parvos!), com projectos educativos que põem os alunos a aprender não só a matéria, mas regras de civilidade; são escolas que funcionam e quando isso não acontece cai-lhes a inspecção em cima, a inspecção do Ministério da Educação.
Ao longo dos anos, o Estado gastou dinheiro a fazer escolas novas, a admitir mais professores e, paralelamente, a pagar às privadas para manter o serviço público que ofereciam. Porque nestes colégios privados andam todos, dos ricos aos pobres, todos com as mesmas oportunidades, tal e qual como na escola pública. E agora, toca a cortar - é mesmo assim, calha a todos, o que é que pensavam, que só cortavam na pública?
Irrita-me a má gestão dos dinheiros públicos e os invejosos.
BW

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Tendências e Controvérsias em Sociologia da Educação

É o título do livro editado pela Mundos Sociais, organizado por Pedro Abrantes com os trabalhos e investigações mais recentes no âmbito da Sociologia da Educação.
O lançamento é esta tarde, às 16h00, em Lisboa, no ISCTE, na Ala Autónoma, no Auditório Afonso de Barros. A apresentação está a cargo do professor José Resende e eu deveria estar presente também para exercer a mesma função. Mas, por motivos de força maior, vai ser impossível. As minhas desculpas públicas ao professor Pedro Abrantes e a toda a organização (as desculpas pessoais já foram dadas, ainda que com pouca antecedência).
BW

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A menina bonita do boxe português

Para ler, porque estes miúdos são verdadeiros exemplos. Por vezes, a escola tende a desvalorizar os alunos que praticam desporto. Há aquele preconceito que quem faz desporto não é tão inteligente como o que toca um instrumento ou participa nas Olimpíadas da Matemática. São tipos de inteligência diferentes.
Há quem se insurja contra os estudantes que são atletas de alta competição e que entram no ensino superior com notas abaixo dos últimos classificados, esquecendo que esses rapazes e raparigas representam o país, ao longo de anos e anos, trazem medalhas e orgulham-se de ser portugueses. Esquecendo que estes cresceram com o sentido da responsabilidade, da ordem, do sacrifício, do esforço, da disciplina; que são miúdos saudáveis (a maioria) e ocupados (veja-se a Juliana que faz boxe, teatro e é uma católica activa e comprometida). Esquecem que o país não apoia estes jovens, à excepção se fizerem futebol ou outra modalidade que dê mais dinheiro em termos publicitários. Parabéns à Juliana e que dê o seu melhor no campeonato europeu de júniores!
BW