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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Contratos de associação: sim ou não?

Nota histórica: os contratos de associação nasceram numa altura em que a rede das escolas públicas não chegava a todo o lado. Assim, o Estado contratualizou com escolas privadas que existiam nas regiões, pagando-lhes para receber todos os alunos. Portanto, estes não pagam mensalidades porque é o Estado que as paga, como se de uma escola pública se tratasse.
Com o passar do tempo, o Estado construiu escolas, em algumas regiões duplicou a oferta, uma vez que esta já existia. A isto devemos chamar "má gestão". Mas não é assim que a esquerda interpreta – tudo, mais cedo ou mais tarde, cai na ideologia. A isso a esquerda chama "oferta pública". Como se o que as escolas privadas fazem não fosse escrutinado pela Inspecção-Geral da Educação, como se não tivessem de dar as mesmas matérias que as públicas, como se os seus alunos não tivessem de fazer os mesmos exames.
Mas a história não fica por aqui e, paralelamente à construção de escolas públicas, o mesmo Estado – é preciso ver que este nem sempre é o mesmo porque umas vezes é o PS que o gere, outras é o PSD/CDS – autorizou mais contratos de associação em colégios ao lado de escolas públicas e mais: permitiu que novas privadas conseguissem estes mesmos contratos. Má gestão, repito.

Depois de viverem dias calmos com Nuno Crato, as escolas privadas com contratos de associação estão em alvoroço com a possibilidade de perderem os contratos, logo, o financiamento.
Há contratos que são vergonhosos, os do centro da cidade de Coimbra, com escolas públicas ao lado! O das Caldas da Rainha onde a escola pública já existente ficou às moscas desde que a privada abriu, recentemente.
Mas aqui é que está o ponto: por que está a escola pública às moscas?
E devia ser sobre isso que as públicas que querem os alunos das dos contratos de associação deviam reflectir, em vez de acharem que têm o direito porque o "ensino é público". Repito: porque está a escola pública às moscas?
Outros pontos sobre os quais podem reflectir:
O que faz a escola pública para bem receber os alunos?
O que lhes oferecer em termos de actividades extra-curriculares?
Tem um corpo docente estável e disponível para tudo?
Tem recursos físicos e humanos para que os alunos fiquem até mais tarde?
Como é a sua relação com os pais? Ouve-os, trata-os bem?
Tem transporte?

Há escolas com contratos de associação más? Há, basta olhar para os rankings e elas lá estão. Há escolas com contratos de associação que escolhem os alunos? Sim, como há públicas que o fazem, mesmo que jurem a pés juntos que não. Há escolas com contratos de associação que exploram os seus professores? Há, têm sido denunciadas pelos sindicatos.
Mas também há escolas com contratos de associação que recebem os alunos que as públicas não querem ou os que as públicas desistiram.
Um amigo do meu filho esteve numa escola com contrato de associação com uma equipa de atletismo fortíssima – ah, pois, os privados podem ter essas coisas, dirão já os invejosos. Mas os públicos não têm porquê? Porque não querem, não é por falta de condições visto que todas as escolas têm pavilhão desportivo e departamento de educação fisica.
Voltando ao amigo do meu filho. É um rapaz de uma família pobre de uma ex-colónia, de um bairro complicado, que noutra escola teria poucas possibilidades porque estaria, à partida, condenado ao insucesso. Nesta escola com contrato de associação foi integrado, a escola percebeu que o miúdo tinha jeito para o desporto, pô-lo a praticar uma modalidade que pode levá-lo longe, e, entretanto, entrou na universidade, com bolsa, conseguida com a ajuda da escola que preparou todo o processo – ah, mas as privadas têm condições que as públicas não têm, onde é que numa pública podemos ajudar os meninos a ter bolsas... Mas não existe um gabinete de acção social?
Portanto, se este miúdo não tivesse sido verdadeiramente integrado, não lhe fosse traçado um projecto de vida, provavelmente poderia fazer parte daquele grupo de 30 que queria, à força toda, comer às sete da manhã no Palácio dos Kebabs, em Santos, em Lisboa, e como não lhe foi feita a vontade destruiu e roubou.
Esses rapazes, possivelmente com o mesmo background que este miúdo, não andaram na escola? O que é que a escola fez por eles, já que as famílias nada fizeram?

Mas todas as escolas com contratos de associação são bons exemplos de integração? Claro que não! E todas as públicas são um mau exemplo? Também não. O que quero dizer é que se a escola cumprir o seu papel – se em vez de os directores estarem preocupados em agradar ao seu corpo docente, se preocuparem com os alunos e as famílias –, certamente que os pais vão querer que os filhos fiquem na pública ao lado de casa, em vez de meterem os miúdos nos autocarros para irem para a privada com contrato de associação que fica a 25 km de distância.

O desafio é deixar as leis do mercado funcionarem! Mais: se eu fosse o Ministério da Educação, em vez de apregoar que os contratos são para acabar, para gáudio da Fenprof, do PCP e do BE, punha a IGE no terreno, a reflectir com as públicas que estão às moscas e com as privadas que têm maus resultados. Porque se a rede inclui públicas e privadas, por que hão-de ser as privadas a fechar as suas turmas, só para que se mantenha o peso da máquina do Estado? Enquanto este for conivente com as suas clientelas não lhes exigindo nada em troca, a escola não muda e, por consequência, a sociedade tende a piorar.
BW

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Quem conseguiu mais colocações?

Foto Nuno Ferreira Santos/PÚBLICO
Uns com tantos e outros sem nada...
Há professores que conseguiram ficar colocados em meia dúzia, uma dúzia de escolas. Agora, é só escolher e depois os restantes horários voltam a concurso.
Contente, o Ministério da Educação já fez saber às escolas que podem voltar a pedir professores para que a plataforma volte a abrir e para que os docentes se possam candidatar aos novos horários. And goes on and on and on... Com esta brincadeira chegaremos ao Natal e ainda haverá alunos sem professores.
Entretanto, o primeiro-ministro foi ao Parlamento admitir que sim, o ministério de Nuno Crato errou, mas que agora está a "reparar o erro". Estamos todos muito mais descansados!
Lamentável.
BW

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Se não se demitiu até agora, que se demita depois do problema resolvido, sff

É uma coisa anti-natura: os alunos não querem furos, querem aprender, querem professores.
OK, na primeira semana ainda vai. É giro, é divertido, está calor, os dias ainda são de Verão, cheiram a férias... Mas depois, depois há que pensar que há exames para fazer no final do ano. Há matéria para aprender e ninguém quer ter aulas extra – nem alunos, nem professores. Por que têm de ser castigados pela incompetência do ministério?
As escolas mais afectadas são as que têm contratos de autonomia e as que estão em Territórios de Intervenção Prioritária (TEIP). Neste último caso, as escolas que recebem as crianças mais frágeis, as que mais precisam, as dos bairros, as que os pais trabalham e não têm onde as deixar, as que as mães limpam escritórios de noite e de madrugada, as que passam fome, as que não sabem o que é o gosto pelo estudo, pelo conhecimento, enfim, as que mais precisam!
Recorde-se que estas escolas podiam escolher os seus professores. Afinal, não é fácil trabalhar com estes alunos, é preciso ter alguma predisposição, é preciso dar-lhes estabilidade... Mas este Governo, tão defensor da autonomia, cortou essa liberdade às escolas e agora estas são das principais prejudicadas com a falta de professores colocados.
Como Paulo Guinote lembra muito bem, Nuno Crato queria a implosão do ministro e conseguiu a explosão das escolas... Das escolas públicas, sublinhe-se.
Estará o ministro a fazer um enorme favor ao privado, em nome da liberdade de escolha? Porque nas escolas do sistema privado as aulas decorrem com toda a normalidade, os alunos têm todos os professores, estão a dar matéria e a preparar-se para os exames. Vai ser interessante olhar para os rankings, em Outubro de 2015.
Compreende-se a ideologia neoliberal deste Governo que se diz social-democrata mas que nada percebe de social democracia: dar cabo do sistema público de ensino, dar cabo das oportunidades dos que menos podem. Vergar a classe média remedidada e os pobres, não lhes dar acesso à educação, fomentar desigualdades, oferecer-lhes o profissional e tecnológico que não têm capacidades para mais. Estarei a exagerar?...
O ministro espera que tudo se resolva até à próxima semana.
Os professores, pais e alunos esperam que, depois da situação estar resolvida, o ministro se demita, já que não teve, até agora, a hombridade para tal.
BW

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola

Na terceira semana de aulas, há turmas em que faltam seis professores, noutras três, noutras um, noutras aquele que há-de ser o director de turma.
"Parece que amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola", ouço dizer, numa conversa entre alunos. Retenho a palavra "remessa". Um professor é como um conjunto de livros que chega à biblioteca ou de várias paletes de leite escolar para o refeitório. Como se fossem mais uma de tantas encomendas que as escolas fazem.
"Preciso de três professores de Matemática", grita a directora da escola para dentro do intercomunicador do drive-in de fast food. Avança com o carro e ao chegar à janelinha é informada: "Hoje não temos. Volte noutro dia..." E, enquanto isso, já passaram 12 dias úteis desde que as aulas começaram. Quantas aulas perdidas? Quanta matéria por dar? Como vão ser os estudantes preparados para os exames?
Os professores são tratados como objectos. A entidade empregadora não tem qualquer respeito por eles mas exige-lhes que façam o melhor trabalho, mesmo sem condições.
O professor de Filosofia foi colocado na sua primeira opção, na escola que tem o nome da sua filha, naquela onde sempre quis dar aulas, confessa, feliz, aos alunos. Foi colocado a tempo e horas e dá as boas-vindas a todos. Propõe-lhes jogos, adivinhas; coloca-lhes questões; põem-nos a pensar no sentido da vida; cria uma conta de email para cada turma, para que todos o possam contactar sempre que tenham dúvidas; decora o nome dos alunos; percebe quais são os que estão ali porque querem aprender e os que ali estão porque não. E, oito dias depois de estar colocado, enturmado, a criar rotinas, é informado: "O senhor está aqui por engano. Tem de sair."
Como fica este docente? Está motivado para recomeçar tudo noutro sítio? Terá outro sítio onde recomeçar?
Como é que o ministro que respeita tanto os professores brinca assim com as suas vidas?
Como é que se espera que estes profissionais sejam respeitadas pelos alunos, pelos pais, pelos outros colegas?
O início do ano lectivo é sempre turbulento, nunca nada está pronto a tempo e horas, dizemos encolhendo os ombros. Mas nunca foi assim. Quer dizer, foi assim noutros tempos, há muito tempo! Nos últimos anos, a máquina estava oleada e os professores estavam nas escolas a tempo e horas; a tempo de participarem nas reuniões de preparação do início do ano lectivo; a tempo de conhecerem a escola, os colegas, os cantos à casa, as rotinas...
Esperemos que amanhã chegue uma nova remessa. A última, sff., para ver se o ano lectivo finalmente começa.
BW

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Chegar mais cedo para ter lugar na sala de aula

Na manhã de quarta-feira, ele apressou a irmã para saírem de casa mais cedo. "Despacha-te que tenho de chegar a horas!" Com a mochila feita de véspera, estava impaciente, esperando à porta de casa, enquanto ela dava os últimos retoques ao cabelo, vendo-se ao espelho de fugida. "Ui, estamos tão aplicados!", atirou-lhe, em tom de crítica, bem-humorada. Ele empurrou-a para a rua e fechou a porta com força.
Esta manhã, ouviu-se um "já estamos atrasados" em tom de desabafo e de desespero. E lá correm eles porta fora.
Passou a gostar da escola? É um aluno pontual e aplicado? Nem por isso. É o instinto de sobrevivência que o faz voar em direcção ao estabelecimento de ensino. É o querer ficar sentado na sala de aula onde as 32 carteiras são insuficientes para os 33 alunos inscritos. O último não terá lugar para se sentar e, por isso, não terá direito a entrar na sala de aula. Aconteceu ontem, com a professora a pedir ao último que entrou para ir à secretaria queixar-se que não tinha lugar.
Turmas de 33 alunos em salas que não comportam mais de 32 mesas?
Turmas de 33 alunos no último ano do secundário? Eles são grandes, enormes, e as salas foram desenhadas pelos arquitectos da Parque Escolar para os 25/28 previstos anteriormente.
Consegue um professor conhecer os 33 alunos daquela turma e os 33 de todas as outras turmas que vai leccionar durante o ano?
Consegue um professor ensinar 33?
Conseguem os 33 alunos aprender?
Duvido.
O ministro Nuno Crato disse que gostaria que a abertura do ano lectivo fosse “sobre os alunos, as turmas e a evolução que está a ser feita”. Sobre os alunos que não têm professores? Sobre os alunos que não têm lugar para se sentar na sala de aula? Sobre a evolução? Qual evolução? 
O sucesso escolar começa a construir-se no primeiro dia de aulas, diz Maria de Lurdes Rodrigues. Assim é, ele sai cedo para se conseguir sentar. Depois, é rezar para que aprenda alguma coisa com a meia dúzia de professores desmotivados que lhe aparecem à frente – em cinco, faltam três ser colocados – e com os 32 colegas que, tal como ele, por vezes, não sabem o que é estar numa sala de aula.
Entretanto, ele vai continuar a ser pontual: não há lugares marcados porque não há director de turma – faz parte do grupo dos que não foram ainda colocados.
BW

sexta-feira, 22 de março de 2013

Mobilidade dos professores

Não há empregos para a vida. Os trabalhadores do privado já o descobriram há muito, os do público começam a descobrir agora.
Mas as dificuldades que são colocadas aos professores são preocupantes. Como vão ensinar pessoas que estão deslocadas centenas de quilómetros, longe de sua casa, da sua família? Que motivação têm para trabalhar? Terão sequer dinheiro para se deslocarem?
Vamos apostar na emigração e no desemprego como oportunidades, como diz o primeiro-ministro? Parece que sim, que a aposta é mesmo no investimento na formação das pessoas para depois fazerem bem lá fora e quem fica, fica a minguar, a sufocar.
E a desculpa de Nuno Crato é lamentável: "Vivemos no mundo em que vivemos". Pois e se a minha avó não tivesse morrido ainda hoje era viva, apetece dizer. Desespera-me a resignação e a falta de uma política que pense nas pessoas.
Pertinente a reflexão de Maria de Lurdes Rodrigues no PÚBLICO Online.
BW

sábado, 3 de novembro de 2012

Professores sem escola, amanhã na SIC

Domingo, dia 4 de novembro, no ‘Jornal da Noite’

‘GRANDE REPORTAGEM’ – “PROFESSORES SEM ESCOLA”

Durante quase uma década, Silvana Lagarto e José Vicente foram professores de EVT, Educação Visual e Tecnológica, o grupo de docentes mais atingido pela reforma liderada pelo Ministro da Educação Nuno Crato. Estes dois professores dificilmente voltarão a ser colocados. Margarida Carvalho e Tiago Galveia, professores de Ciências e de Geologia, também ficaram de fora das listas de colocação pela primeira vez em seis anos. Maria Santana, docente de Filosofia, está ainda à espera de ser colocada, ao fim de 15 anos dedicados ao ensino.
Os cortes no Orçamento da Educação de 2012 deixaram milhares de professores sem trabalho e o ensino mais pobre.
As linhas gerais da re-estruturação foram definidas pela Troika, mas Nuno Crato e Vitor Gaspar levaram mais longe as orientações inscritas no memorando.
O corte no orçamento da Educação em 2012 rondou os 600 milhões de euros, três vezes mais do que os 195 milhões exigidos pela Troika. O orçamento de 2013 prevê ainda mais cortes.
A ‘Grande Reportagem’ deste domingo analisa as reformas na Educação, as consequências no ensino público e na vida de professores que, de um momento para o outro, ficaram desempregados.
Estará em causa o futuro da Escola Pública?
Professores Sem Escola é uma reportagem de Sofia Arêde, com imagem de Rodrigo Lobo e edição de Imagem de Ricardo Tenreiro.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O ministro matemático e a estatística

Na sua entrevista ao Sol, na sexta-feira passada, e à TVI, na segunda-feira, o ministro Nuno Crato justificou que a máquina da escola pública não precisa de mais docentes porque o número de alunos no sistema diminuiu 200 mil. Ou seja, há menos 200 mil estudantes no ensino. Portanto não são precisos tantos professores.
Duzentos mil em três anos? Foi a peste? Um terramoto? A emigração? Ou a diminuição da natalidade, como argumentou Nuno Crato? Não. O PÚBLICO descobriu que foi um erro nas estatísticas do ministério: a inclusão do número dos adultos das Novas Oportunidades. O ministro comparou dados de um ano de expansão das Novas Oportunidades - que tinham pouquíssimas aulas com professores, mas que eram acompanhados por formadores, logo, o argumento de não serem precisos professores por causa destes adultos não pode ser usado - com os de outro ano onde as Novas Oportunidades não foram contempladas.
Um erro? Como é que um ministro que tanto ama o rigor e a exigência não soube ler os números?
BW

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Regresso às aulas

São testemunhos comoventes e reais os que a jornalista Graça Barbosa Ribeiro ouviu e reproduziu aqui.
Como mãe, preocupam-me todos os casos, os dos professores desempregados que podiam estar a trabalhar se não existissem turmas de 30 alunos: os dos professores em final de carreira a ter de enfrentar turmas de 30 alunos; os professores de EVT que ficaram à porta da escola; os professores com horário zero porque já não há disciplinas não curriculares para leccionar. Preocupa-me que os professores cheguem ao primeiro dia de aulas desmoralizados, em baixo, desmotivados - como o estado do país.
BW

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Tudo vai mudar

"Se é difícil atingir objectivos com 24 alunos..."
Todos sairão a perder - alunos, pais e o país...

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Em que é que ficamos?

Agora há professores; agora já não há, vão para horários-zero; agora há outra vez!
Agora temos programa; agora temos metas; agora já não temos; agora temos novas metas mas que não coincidem com o programa.
Agora temos directores confiantes; agora temos directores confusos a obedecer às ordens do ministério que hoje são umas e amanhã outras.
Agora temos professores assustados, frustrados, amedrontados e revoltados, para não falar das reuniões que ainda faltam fazer para aplicar umas metas que não coincidem com os programas...  Devem estar todos motivados!
É assim que vão começar o ano lectivo?
E quando virem os 30 alunos sentados (se é que conseguem estar sentados) à sua frente?
BW

segunda-feira, 23 de julho de 2012

E se, de repente, lhe dissessem que é horário-zero?

Foi o que aconteceu a centenas de professores, neste país. Profissionais que estavam nos quadros de escola, confiantes. Não estamos a falar de professores contratados, daqueles que andam cinco, dez, quinze anos a contrato, que no início de Setembro ainda não sabem a que escola vão parar. Como é que não se investe na educação? É preciso fazer melhor as contas!
BW

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Mais professores com horário-zero e mais professores nos quadros?

Há duas semanas que os directores de escolas chamam colegas para os dispensar. Alguns deles com três décadas de leccionação a serem dispensados e agora o ministro Nuno Crato vem dizer que quer professores contratados nos quadros... Como?

sábado, 14 de julho de 2012

Professores despedidos ou dispensados?

Ontem, um professor escrevia no Facebook que uma escola estava a dispensar colegas por SMS. Portanto, um director a enviar SMS aos seus colegas a dizer-lhes que para o ano não havia horários para eles. Um homem corajoso que pega os touros pelos cornos!
Esta manhã, um professor conversava comigo e apelava para o PÚBLICO escrever sobre o tema. Tanto destaque que demos à greve dos médicos ou à greve dos pilotos e os professores a serem dispensados e ninguém escreve sobre o assunto, queixa-se. Mas o PÚBLICO tem escrito sobre o tema! O que fazemos quando escrevemos sobre mega-agrupamentos e ouvimos directores e sindicatos a dizer que vêm aí despedimentos em massa? O que fazemos quando escrevemos sobre as turmas de 30 alunos e as mudanças de horário e ouvimos quem está no terreno a dizer que milhares de professores serão dispensados?
Agora, à tarde, uma professora envia-me um email a dizer que na sua escola foram 35 professores, a maioria dos quadros. Porque não escrevemos?
E eu pergunto: Onde estavam todos no dia da manifestação? O professor do Facebook estava lá e os outros? Onde estavam os professores contratados que para o ano não terão sequer um contratozinho de dois meses? Onde estavam os professores dos quadros?
Há muito que os professores perderam a guerra, deixaram vencer-se, estão desunidos. As federações e sindicatos que se juntaram contra Maria de Lurdes Rodrigues, onde estão?
BW

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Também estou a ensinar quando luto!

Nos últimos dias tenho insistido em perguntar: porque vieram 120 mil para a rua por causa da sua avaliação do desempenho e não vêm quando têm o emprego em risco, quando podem passar a horários-zero, quando vão ter 30 alunos por turma?
Estão desanimados, angustiados, esmagados, respondem Mário Nogueira e o responsável da Associação de Dirigentes Escolares.
Sentiam-se mais acossados por Maria de Lurdes Rodrigues do que por Nuno Crato, o ministro professor, como pode ler aqui.
Nestes dias em que achamos tudo normal – o ministro da exigência, do rigor, da avaliação conviver jovialmente com o ministro a quem saiu uma licenciatura na caixa da farinha Lusófona e que não lança uma inspecção àquela universidade; termos uma taxa de desemprego com dois digitos; termos pessoas a quem o trabalho não resgata da pobreza – os professores parecem apáticos e desconheço se esta tarde estarão mobilizados para se manifestarem.
A concentração promovida pela Fenprof já serviu para uma coisa, para ler a frase do cartaz "Também estou a ensinar quando luto!". Precisamos de ensinar isso às novas gerações para que não anseiem serem Relvas. 
BW

sábado, 29 de outubro de 2011

Os professores, os jornalistas e o medo

Foi um fim de tarde e principio de noite muito bom!


Da esquerda para a direita: Margarida Davim do Sol, eu, Andreia Brito da Antena 1 e Alexandra Inácio do JN.




Paulo Guinote que coordenou estas conversas, Pedro Sousa Tavares do DN, Margarida e eu, outra vez - fotos cortesia Paulo Guinote, estão também publicadas no seu blogue.


Partimos de um estudo com quatro anos de Pedro Abrantes, do ISCTE, onde se conclui que a maior parte das notícias que escrevemos, na área da Educação, as fontes são as governamentais e as sindicais, e que falamos pouco com os principais actores, os professores e os alunos.
Qualquer um de nós confirmou e a maioria referiu que faz sobretudo política educativa. A excepção fui eu que, ao contrário da Alexandra ou da Andreia não sei os índices remuneratórios dos professores, assim como não sei em quantas remodelações ao modelo de avaliação já vamos. A Margarida sublinhou a importância de se fazer política de educação - é esta que vai influenciar a vida das escolas. O Pedro referiu que a educação faz-nos vender mais jornais, por vezes, mais do que a política. A Alexandra apontou que há uns anos a educação era tratada em pequenas notícias e que nos últimos anos foi-lhe dada uma importância maior, precisamente porque vende.
Falámos ainda dos rankings - o Pedro concorda com a sua existência, a Alexandra detesta-os, a maioria discorda com o modo como são feitos, o reduzirmos a qualidade de uma escola aos resultados dos exames nacionais.


E porque é que não vamos mais às escolas?, insiste a audiência reunida na Buchholz.
Porque não é fácil, porque as escolas se fecham, porque os professores têm medo de falar.
Porque é que ouvimos sempre as mesmas pessoas?
Porque são aquelas que estão "resguardadas" porque fazem parte de um sindicato, de uma associação, etc, os professores "anónimos" têm medo de falar.
Quais são as principais dificuldades em entrar na escola?
É preciso pedir autorizações à DRE ou ao MEC, que nem sempre nos são dadas ou não são dadas a tempo.
Os jornalistas são instrumentalizados?
Queremos acreditar que não! Se fizermos o nosso trabalho - ouvir, fazer o contraditório, investigar, perguntar, etc - não seremos instrumentalizados.

No final da noite, saímos muito depois das 21h da Buccholz, reflectia sobre o encontro e vou escrever algumas coisas que disse, outras não disse que sou muito trapalhona ao vivo...
Quando comecei a escrever sobre educação vivia-se uma "primavera grilista". Eu não soube o que era um ministério e as escolas todas fechadas em copas, todos proibidos de falar, como as colegas que já escreviam sobre o tema antes de mim.
Quando comecei a trabalhar era ministro Marçal Grilo e os secretários de Estado eram Ana Benavente e Oliveira Martins. Os serviços do ministério estavam-me praticamente escancarados. Eu queria escrever sobre pré-escolar, faça o favor de falar com a directora do DEB (uma especialista na área)! Porque é que não fala com x ou com y? Essa abertura permitiu-me construir uma agenda, ter acesso a fontes, a especialistas, a investigadores, que muitos dos meus colegas de trabalho têm, hoje, mais dificuldade em conseguir. Porquê? Porque depois da "era Guterres" os serviços voltaram a fechar-se, a pouco e pouco; os assessores de imprensa deixaram de dar acesso às pessoas para serem eles a voz oficial. É mais pobre falar com um assessor que faz a triagem do que lhe é dito pelos serviços, que não respondem ao que perguntamos.
Não é fácil aos jornalistas "entrar" na educação. Não são só os índices remuneratórios, é toda a linguagem das escolas que nós aprendemos e que os outros jornalistas desconhecem: das siglas (CEF, NEE, DT, TIC - estas são as mais básicas...) aos palavrões da pedagogia.
E quando tentamos sair da 5 de Outubro ou da 24 de Julho, esbarramos com escolas fechadas, com directores que dizem que não têm autorização para falar, que são rudes ao telefone, que se escondem atrás de legislação; de professores que têm medo dos directores...
E vai ser pior, afiançam os docentes sentados na plateia.
Vai ser pior...
Pode ser que sim. Cabe-nos a nós, jornalistas, lutar contra isso, continuar a insistir com as escolas, com os professores. Cabe aos professores ter coragem e lembrarem-se que vivemos em democracia.
BW

sábado, 21 de maio de 2011

A educação e a troika

Mais agrupamentos, diz a troika, de maneira a reduzir os custos na área da educação, com o objectivo de poupar 195 milhões de euros através da racionalizacao da rede de escolas e da criação de agrupamentos de escolas, redução das necessidades de pessoal, etc. A troika quer ainda uma racionalizacao das transferências para as escolas privadas com contrato de associação.

O documento que o ministério das finanças divulgou diz: "aproximação das competências 'as necessidades do mercado (educação e formação vocacional); combate ao abandono escolar precoce"

... O governo habitou-nos a uma versão rosa dos factos. Mas pode o PSD, caso chegue a ser governo, mudar as coisas? Não me parece, por isso, soa a ridículo Passos Coelho a defender a liberdade de educação e o cheque ensino.
BW

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Os professores que paguem a crise!

Como se sabe as leis portuguesas têm sempre várias interpretações, tal é o modo encriptado como são escritas. Vai daí, o Ministério da Educação vem agora dizer que há professores que desde 2007 - passaram três anos civis - que progrediram por engano. Por engano? Por má interpretação da lei? Por má fé dos directores de escola? E agora têm que restituir o que receberam a mais e podem fazê-lo em prestações suaves, a 12 meses!
E hoje, depois de um fim-de-semana prolongado, é ver os directores de escola, que têm pouco que fazer, a rever os processos todos, todinhos, não vá ter escapado algum; e os docentes na sala dos professores - em vez de falarem do projecto educativo, da turma x ou y, do comportamento do menino z, da visita de estudo, não -, todos a querer saber quem progrediu bem e mal, quanto é que esses vão ter que devolver ao ME, tudo a maldizer ministros, serviços e Governo. Bonito! E a chegar à sala de aula, contentes da vida, e sentirem que andam ali mesmo é a aturar meninos e que não lhes pagam para isso, pois se até têm que devolver o que receberam... Bonito!
BW

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

É oficial: Não há concurso de professores

A ministra da Educação já o tinha dado a entender na entrevista que deu ao PÚBLICO no início do ano lectivo e veio hoje confirmá-lo, na Assembleia da República: não há concurso de professores extraordinário no próximo ano (como aliás já fazia antever o Orçamento de Estado). A boa notícia é que o Ministério das Finanças já deu luz verde para a contratação de 200 psicólogos para as escolas, mês e meio depois das aulas terem começado...
BW

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Concurso de professores: a confusão cíclica

Ontem foi um dia difícil para milhares de candidatos ao concurso de professores. Dos 50 mil cerca de 18 mil foram colocados, sabe-se lá onde, muitos foram desterrados para longe de casa e terão de resolver as suas vidas pessoais em dois dias, para se apresentar nas escolas atribuídas.
Mas dos cerca de 18 mil, houve 10 mil que foram reconduzidos com horários completos nas escolas onde já o ano passado leccionaram, o que significa que não são "necessidades transitórias" que esses estabelecimentos de ensino têm, mas permanentes. É por essa razão que os sindicatos pedem que sejam abertos concursos para quadros de escola e lembram que, nos últimos quatro anos, cerca de 15 mil professores se aposentaram.
O sistema precisa mesmo de mais professores, profissionais que estejam nos quadros? Este concurso vem dizer-nos que sim. E se a ele somarmos o alargamento da escolaridade obrigatória, então, de facto, a resposta é positiva.
O problema é orçamental. É muito mais barato para o sistema ter pessoas que praticamente pagam para trabalhar do que ter quadros estáveis a progredir na carreira e a engrossar as despesas do ministério.
Deste modo, continua-se a sacrificar a educação porque um professor contratado, por muitos anos de tarimba que tenha, por muito quilómetro que esteja habituado a percorrer, precisa sempre de um tempo para se adaptar à nova escola - as escolas são públicas mas não são todas iguais! -, ao funcionamento, ao saber onde ficam os lugares das coisas, a ganhar confiança, a fazer parte da casa, aos alunos e isso demora, com eventuais prejuízos para os estudantes.
BW