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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A classe média que pague a crise

"Os pais fizeram as contas. Com os transportes públicos caros e sem passe social para os filhos, a despesa é incomportável. Sai mais barato irem todos no carro. Levarem e trazerem os filhos à escola. Têm lhes explicado, na televisão (jornais já não podem comprar), que é uma questão de justiça social. Eles não são pobres e o Estado a quem eles entregam uma parte significativa dos seus salários é para pobres (e para os bancos). Isto apesar de saberem que os pobres viram as suas prestações sociais reduzidas e os bancos, pelo contrário, podem sempre contar com dinheiros públicos. Mas adiante. Eles tomam a decisão economicamente racional de deixar de usar os transportes coletivos. Eles e os remediados que ainda optavam por eles. Mais uns milhares de carros na cidade. A poluír. A engarrafar o tráfego. A levar, com o tempo e a energia que se perde, a uma redução da produtividade. A fazer perder tempo. A obrigar a importar mais combustível e a piorar a nossa balança comercial. A degradar as vias públicas, obrigando a maior investimento do Estado em manutenção. A encher passeios, porque não há lugar para estacionar."

Ler todo aqui.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Pilar del Rio a propósito de Clarabóia

"Qual a importância de a dar a conhecer ao público? Faz parte da missão que tomou como presidente da Fundação Saramago?

Pilar del Rio - (...) Pois assim é: é um dos trabalhos que considero meus pela responsabilidade assumida; que  toda a obra de Saramago seja conhecida, divulgada, que ninguém fique sem a conhecer. Porque é um bem para todos: para quem lê, para língua, para o país. Não exagero: que cada leitor olhe para dentro de si próprio e veja se depois de ter lido Saramago com atenção não é uma pessoa melhor. Porque reconhecerá o mundo de uma maneira mais profunda e terá mais meios para tomar as suas próprias decisões. Saramago abre-nos os olhos, ao mesmo tempo que nos transmite a beleza mais sublime."

entrevista a Pilar del Rio
Revista Fnac, nº 8, Novembro de 2011

sábado, 29 de outubro de 2011

Para uns, a raiz é a parte invisível que permite à árvore crescer. Para mim, a raiz é a parte invisível que a impede de voar como pássaros. Na verdade, uma árvore é um pássaro falhado.

Afonso Cruz, Os livros que devoraram o meu pai

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

valter hugo mãe comove o Brasil

 "Não sei se é a arte que nos deve salvar, mas tenho a certeza de que pode conduzir ao melhor que há em nós, para que não nos desperdicemos na vida"
                                                                                                          valter hugo mãe

Já me tinham falado deste episódio. Mas tinha-me esquecido de o procurar. Lembrei-me dele ao pesquisar sobre o novo livro de valter hugo mãe, o filho de mil homens, que irei, certamente, ler.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Uma Viagem à Índia e Os Lusíadas

Sobre a inspiração necessária para cantar feitos que se perpetuem nas palavras...


... diz Gonçalo M. Tavares:

"Empurrado por certas deusas da inspiração,
tal como é empurrada a velha camioneta que avariou,
o escritor de motor arcaico, primitivo,
quer afinal apenas que as frases sejam feitas de uma substância
que não evapore lentamente de dia para dia;
deseja frases robustas, que pelos séculos
avancem. Frases que atiradas ao mar: nadem,
e atiradas ao ar, voem."


... diz Camões, na Invocação, canto I:

4

E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipoerene.

5

Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Cidade de Ulisses

Lisboa é (podia ser) uma cidade fantástica.
Gosto da nossa cidade.
Este motivo e a sugestão de uma amiga levaram-me ao último livro de Teolinda Gersão: A Cidade de Ulisses.

Alternando a narração da história de um casal que se ama e perde em Lisboa (e que leva o próprio leitor a perder-se por recantos, quiça, seus conhecidos) com a  descrição de uma história coletiva, oferece-nos ainda belíssimas reflexões sobre a arte e a vida.

"A fruição de uma obra de arte é um encontro, um corpo a corpo. Entre duas pessoas, duas subjectividades, duas visões. Que podem ser convergentes - então há uma relação fusional de identificação e de entrega, ligada a sentimentos de um prazer quase físico, ou divergentes, e nesse caso há uma disputa, uma argumentação, um pretexto para um confronto em termos de intelecto, em que o prazer é indissociável da luta, da tentativa de convencer o outro - e con-vencê-lo é a forma mental de o vencer."
p. 23
Aqui fica a sugestão.

Ana Soares

domingo, 28 de agosto de 2011

Não é possível avançar em direcção ao futuro sem tropeçar no passado.

                                                             David Machado, Deixem Falar as Pedras

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Na educação, o que faz a diferença?

"Para muitos, não é a escola que faz a diferença, é o nível de escolaridade dos pais dos alunos que sustenta a diferença entre a maior ou a menor probabilidade de sucesso educativo. Mas não será bem assim. O que hoje sabemos da investigação científica neste particular domínio é que, para além do papel preponderante do capital familiar no sucesso dos alunos, há outros factores que fazem a diferença, desde a escola à qualidade e competência dos seus professores, a organização do sistema de ensino, o papel da comunidade e das relações sociais de proximidade e, não menos importante, a capacidade de todos poderem gerar expectativas elevadas e oportunidades sociais que as realizem."


David Justino, Difícil é Educá-los, p. 88, 89

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Bufett e os rendimentos dos ricos

O recado do multimilionário Warren E. Buffet aos políticos norte-americanos, aplica-se também aos portugueses, e europeus em geral. Bufett conclui que a classe média é mais taxada do que os ricos. "Parem de mimar os super-ricos", apela.
BW

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A autoridade dos professores

Afirma David Justino no livro Difícil é Educá-los aquilo que nos parece claro e aqui já comentámos várias vezes:
"Fala-se correntemente da autoridade do professor, mas esquece-se que essa autoridade exige o reconhecimento através do respeito e da disciplina. Se nem a família nem a escola assegurarem o valor da civilidade dificilmente a autoridade do professor poderá prevalecer." p. 101

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Falta de articulação entre ciclos

No desfiar dos problemas da educação em Portugal, D. Justino chama a atenção para a falta de articulação entre os ciclos. Tal é possível verificar se analisarmos os programas disciplinares de muitas disciplinas ou analisando os anos em que os números das retenções são mais flagrantes. É que estas coincidem com os anos de mudança de ciclo (muitas vezes associados ainda a mudança de escola).


"O problema está em saber porque é que o trajecto escolar tem de ser uma «corrida de obstáculos» colocados em determinados pontos do percurso e não uma progessão natural, tanto quanto possível capacitadora das qualidades «atléticas» dos «corredores»."


David Justino, Difícil é Educá-los, p. 63

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Um bom professor

"Um bom professor, tal como uma boa escola, é aquele que consegue contrariar o determinismo sociológico do estatuto socioeconómico familiar pela qualidade do seu ensino, pela forma como potencia as aprendizagens, pelas expectativas que consegue criar e pelas capacidades que consegue desenvolver nos alunos. Por isso dá tanto trabalho ser professor!"


David Justino, Difícil é Educá-los, p. 92

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Somos os principais responsáveis por moldar os nossos filhos?

Sim, somos. Não somos os únicos, mas deveríamos ser os principais, embora nem sempre seja fácil sobrepor a nossa voz, o nosso corpo, o nosso exemplo, às vozes que vêm de fora.
A mãe de Obama, Ann Dunham (Stanley Ann Dunham Soetero), foi a grande responsável pelo homem que é: If you are going to grow into a human being,” she told him early, “you are going to need some values.
BW

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Souto de Moura, Obama e o Pritzker

Foi bonito e fez bem ao ego ver Obama na entrega do nobel da arquitectura, o Prémio Pritzker norte-americano a Eduardo Souto de Moura.
Em 30 anos de existência do prémio só uma vez um presidente dos EUA tinha ido à entrega do mesmo, foi Bill Clinton quando o premiado foi Renzo Piano, em 1998.
Ao contrário de Clinton, Obama não falou de política mas de arquitectura. Definiu-a como "obras de arte que podemos atravessar e onde podemos viver". Disse que a arquitectura "pode ser vista como a mais democrática forma de arte". Depois, comparou o arquitecto português a Thomas Jefferson, autor da Declaração de Independência e da sua própria casa, na Virgínia. Aos olhos de Obama, um e outro passaram "a sua carreira a desafiar as fronteiras da sua arte, mas fazendo-o de forma a servir o bem público, num estilo que parece não ter esforço e é belo ao mesmo tempo" - é isso que se quer da arquitectura, não é?
Obama concluiu que são “Obras intemporais, que nos trazem alegria e nos ajudam a tornar este mundo um lugar melhor.”
Depois, Souto de Moura discursou em português.
BW

sábado, 14 de maio de 2011

As novas tecnologias na educação


"Há um ganho evidente na familiarização (...) [com] as novas tecnologias com as quais [o aluno] vai ter de lidar na sua vida futura. Contudo, as tecnologias não passam de instrumentos, sofisticados e atraentes, sem dúvida, mas tão-só instrumentos. (...) É pela educação que se chega à tecnologia e não o contrário."

David Justino, Difícil é Educá-los, p. 83


Compreendo, mas concordo só em certa medida. É que os alunos que hoje chegam à escola são já alunos tecnológicos e estes esperam da escola mais do que esta oferecia às gerações pré-boom tecnológico. Por isso, a tecnologia tem de ser também um meio para levar a escola e os alunos à educação. Todavia, tecnologia sem conhecimento é uma falácia. Claro.
Não retirando o primado ao desenvolvimento de competências cognitivas e capacidade de raciocínio lógico, a tecnologia tem de estar ao serviço da nova escola do século XXI.

Ana Soares

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Carga horária de Port. e Mat.

"A dispersão disciplinar, a cargas horárias mal distribuídas, a quantidade de docentes e a consequente dificuldade em articular e integrar tudo isto convergem no princípio de ensinar mal um pouco de tudo, quando seria preferível ensinar bem o que é fundamental. Esse mesmo princípio conduz à desvalorização do que considero serem os saberes axiais e estruturantes das aprendizagens: o Português e a Matemática".

David Justino, Difícil é Educá-los, p. 77

Comparem-se as horas dedicadas a estas duas disciplinas nos países da OCDE:

Dos 9 aos 11 anos - correspondente aproximado ao 2º ciclo

Leitura e escrita - Portugal 15 h / Média OCDE 23 h
Matemática - Portugal 12 h / Média OCDE 16 h

sábado, 23 de abril de 2011

acredito

“acredito na Ressurreição

dos livros

e acredito que no Céu

haja bibliotecas

e se possa ler e escrever”.


Adília Lopes

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Um conselho: fala pouco: fala do que é grande.

Gonçalo M. Tavares, Matteo perdeu o emprego

quinta-feira, 10 de março de 2011

o nosso mundo interior é uma cebola ou uma batata?

"Comecemos, talvez de modo desajeitado, perguntando: o nosso mundo interior é uma cebola ou uma batata? A pergunta faz-nos sorrir, é um bocado cómica, mas, se quisermos, acaba por colocar-nos perante a nossa realidade de uma forma bastante profunda. A pergunta pode ser feita numa cozinha, por uma criança que está a descobrir o mundo, pode ser proferida por filósofos ou ser reformulada por um mestre espiritual. O nosso mundo interior é uma cebola ou uma batata? Nietzsche, por exemplo, dizia que «tudo é interpretação», isto é, não há um núcleo de Ser a sustentar a nossa experiência de vida, tudo são cascas de cebola, modos de ver, perspectivas, interpretações. Para lá disso não há mais nada. A visão cristã do mundo está certamente do lado da batata, pois defende que, mesmo escondida por uma crosta ou por um véu, está uma realidade que é substanciosa e vital.

A verdade é que mesmo sabendo que a vida é uma batata, nós vivêmo-la, muitas vezes, como se fosse uma cebola. Vivemos de opiniões, de verdades parciais e provisórias, de paixões, vivemos aparências e modas como se a vida fosse isso. Esgotamo-nos a desfilar cascas e camadas, sem um centro que nos dê realmente acesso ao pleno sentido..."


José Tolentino Mendonça, O Tesouro Escondido

sábado, 5 de março de 2011

PÚBLICO de parabéns!

O jornal onde trabalho há 14 anos faz hoje 21!
As celebrações há muito que começaram porque há bastante tempo que a redacção está a trabalhar para estes dias, além de trabalhar para o dia-a-dia porque este é um jornal diário.
* Ontem, o Ipsilon, o suplemento de cultura, falava com jovens com 20 anos sobre os seus hábitos culturais.
* Hoje, o P2, o suplemento diário que sai com o jornal, tem 21 ideias "fora da caixa", pessoas com ideias diferentes que podem mudar Portugal.
* No PÚBLICO, em papel, o nosso destaque, das páginas 2 à 12, foi construido com base numa sondagem PÚBLICO/Intercampus sobre a família - que é a base de tudo (ou não). E descobrimos o que é que os portugueses pensam sobre o amor, o casamento, a infidelidade e a adopção por casais do mesmo sexo.
* E conhecemos várias famílias que estão dispostas a que os leitores do PÚBLICO as acompanhem durante um ano. Vamos saber como é que todas vão fazer face à crise.
* António Câmara, o CEO da YDreams e director por um dia envolveu-se inteiramente na idealização deste jornal e está, neste momento, a conversar com os leitores no PÚBLICO Online.
* Ontem, quando soprámos as velas do bolo de aniversário, António Câmara confessava que não fazia ideia de como era fazer um jornal e que, quando quisessemos descansar, que fossemos trabalhar para a YDreams...
* Hoje, Miguel Esteves Cardoso diz na sua crónica (pág. 63): "As coisas são de graça, incluindo uma boa parte do que nos custa a fazer". Resumindo nesta frase o trabalho dos jornalistas desta e de outras casas.
Apesar da quebra de vendas, do aumento do número de leitores no Online, de todos os meios da imprensa escrita (excepto o Correio da Manhã) andarem à procura da solução para não desaparecerem, o PÚBLICO está de parabéns!
BW